‘Nós já pagamos pela relação com Valério’, afirma líder do PT

Jilmar Tatto chama empresário de ‘desqualificado’; presidente da Câmara classifica como lamentável querer envolver Lula no caso

Bruno Lupion, Fernando Gallo e Denise Madueño - O Estado de S. Paulo,

02 de novembro de 2012 | 10h13

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto, chamou Marcos Valério Fernandes de Souza de "desqualificado" e afirmou que seu partido já pagou "um alto preço" por ter se envolvido com o empresário. "Agora chega, já pagamos os nossos pecados", disse Tatto, que minimizou o novo depoimento de Valério ao Ministério Público Federal, no qual ele afirmou que, se for incluído no programa de proteção à testemunha, poderá dar mais detalhes sobre o esquema do mensalão.

Conforme publicou ontem o Estado, Valério fez novos relatos sobre o esquema, nos quais mencionou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci. Para Tatto, as afirmações são sinal de "desespero" que não merecem credibilidade. "Eu o vejo como uma pessoa desqualificada, que teve a oportunidade nesse período todo (do julgamento) de dizer as coisas e que, agora, no momento em que foi condenado, fala qualquer coisa. Não merece o mínimo de credibilidade", disse o parlamentar ao chegar à sede do diretório nacional do PT, no centro, para participar da reunião da executiva do partido.

Segundo ele, o fato de o Ministério Público não ter aberto, até o momento, nova investigação para apurar as declarações de Valério atesta não haver "nada de novo" no depoimento. "As relações dele com o PT são relações conhecidas, foi (a razão) inclusive de pessoas do PT estarem sendo condenadas por contratos que ele avalizou. Isso já está na ação penal 470", disse.

Tatto foi acompanhado nas críticas a Valério por outros líderes petistas. O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou ser "completamente estapafúrdia" a tentativa do empresário de envolver Lula. "Se ele tinha alguma coisa para falar, qualquer que fosse, deveria ter falado no processo. Até porque essa delação premiada, se ele viesse a fazer, não teria interferência nenhuma no processo."

"A própria reportagem do Estado já dá de antemão o entendimento do próprio procurador-geral de que não tem muita consistência o que ele está dizendo."

‘Jus sperniandi’. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), considerou "lamentável" a eventual retomada de investigações sobre o mensalão com novo depoimento de Marcos Valério. "A expectativa de todos e da sociedade é que essa página do mensalão seja virada com o julgamento do Supremo. É lamentável a tentativa de querer retomar o processo de investigação no momento do julgamento", disse Maia. "Eu colocaria essas afirmações, esse suposto novo depoimento, no que chamamos de ‘jus sperniandi’. Depois de todas as investigações feitas, não cabe ilação sobre esse tema, principalmente nessa direção de envolver o ex-presidente Lula. Isso já foi exaustivamente investigado pelo Ministério Público e pelo próprio Supremo. Não deve ser levada em consideração."

Já o senador Jorge Viana (PT-AC) chamou de "intolerância" e "irresponsabilidade" o fato de Lula ser citado por Valério. Ele chamou o depoimento de "armadilha" e disse que comentar "é levar adiante uma irresponsabilidade, é pura intolerância de quem não aceita Lula nem como ex-presidente". Viana voltou a pedir a Valério que conte tudo sobre o mensalão, "desde a sua origem com o PSDB e o DEM".

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou não ter conhecimento do depoimento. "Não temos nada a temer, não devemos nada. Tudo que ele deveria ter falado, falou no processo".

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