Nos EUA, movimentos surgidos na internet vinculam-se a partidos políticos

Diferentemente dos grupos que organizam os protestos antiDilma no Brasil, grupos como MoveOn e o Tea Party tinham claras conexões partidárias e se engajavam em campanhas eleitorais.

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 10h19

Nos Estados Unidos, a internet propiciou a organização de dois grandes movimentos de cidadãos descontentes com os rumos da política: o MoveOn, em 1998, e o Tea Party, em 2009. Diferentemente dos grupos que mobilizam manifestantes contra o governo no Brasil, ambos têm claras conexões partidárias e se engajam em campanhas eleitorais.


No segundo mandato de Bill Clinton na Casa Branca, o presidente foi alvo de um pedido de impeachment, sob acusação de ter obstruído a Justiça e mentido sobre seu relacionamento com a então ex-estagiária Monica Lewinsky. O tema monopolizou os trabalhos do Congresso durante meses.


Foi aí que um casal de empresários do ramo da informática registrou na internet o site moveon.org. Contrários ao impeachment, eles publicaram no site uma petição que conclamava o Congresso a votar apenas uma moção de censura a Clinton e "move on", ou seja, seguir adiante na votação de projetos importantes que estavam paralisados. Na época, mais de uma década antes da explosão das redes sociais, o link foi compartilhado em uma lista de emails dos amigos do casal, e logo  "viralizou": em semanas, a petição tinha alcançado cerca de 500 mil assinaturas  -  algo inusual naqueles anos.


Da petição para a formalização de uma entidade sem fins lucrativos foi um passo. Hoje a MoveOn tem mais de 8 milhões de filiados e é uma espécie de guarda-chuva de grupos ligados ao Partido Democrata, mas situados à esquerda do "establishment" partidário. Entre suas bandeiras estão a limitação das doações de empresas a candidatos e a universalização do acesso à saúde. A organização apoia abertamente a candidatura da senadora democrata Elizabeth Warren à sucessão de Obama.


No outro lado do espectro político norte-americano, o Tea Party mobilizou eleitores conservadores contrários ao uso de recursos públicos no pacote de estímulo à economia lançado pelo presidente Barack Obama em 2009. O ano anterior havia sido marcado pela crise das hipotecas de alto risco e pela quebra de instituições financeiras, entre elas o gigante banco Lehman Brothers.


Após uma onda de manifestações públicas contra o presidente, os integrantes do grupo passaram a se organizar eleitoralmente e apoiar candidatos da ala mais à direita do Partido Republicano.


Em 2010, reportagem da revista The New Yorker revelou que parte significativa dos recursos do Tea Party vinha de organizações ligadas aos bilionários donos das indústrias Koch, notórios financiadores de causas conservadoras como a negação do aquecimento global e cortes de gastos com programas sociais.

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