Nos EUA, Lula pedirá a Obama ''ótica certa'' para América Latina

Na relação bilateral, chancelar acredita que ''afinidade intelectual'' dos dois líderes facilitará aproximação maior

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

O Brasil pretende convencer os Estados Unidos a olhar a América Latina com a "ótica certa" - a linha de "compreensão" e de generosidade adotada pelo próprio governo Luiz Inácio Lula da Silva na relação com a vizinhança sul-americana. Conforme indicou ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, esse será o tom que Lula deverá adotar ao abordar os imbróglios da região com o presidente norte-americano, Barack Obama, no próximo sábado, em Washington. No plano bilateral, o chanceler acredita que a maior aproximação entre EUA e Brasil será facilitada pela "afinidade intelectual" entre os dois líderes."Não é tanto a questão de fazer com que o presidente Obama olhe para cá (América Latina), porque creio que ele fará isso espontaneamente. É, com modéstia e humildade, ajudar que olhe para cá com a ótica certa", afirmou Amorim. "A ótica certa tem de levar em conta os processos de mudança que ocorrem na América Latina e no Caribe de formas diversas, de país para país."Segundo o ministro, a agenda aberta dos dois presidentes permitirá que a questão da reaproximação entre Cuba e EUA seja exposta a Obama por Lula, mesmo sem que o assunto tenha sido previamente discutido com Havana. Essa disposição está embasada no interesse já expresso por Washington de flexibilizar sua relação com o governo cubano.No caso da Venezuela, o presidente brasileiro recebeu de seu colega Hugo Chávez a missão de apresentar a Obama sua intenção de distender as relações. Amorim advertiu, porém, que o Brasil não quer negociar em nome de outros países."É preciso que os mal-entendidos que se tenham criado e as eventuais situações conflitivas venham a se dissolver", afirmou. "A relação Estados Unidos-Cuba é anômala, em comparação com o resto do continente. Cuba é simbólica na América Latina, (sob o ponto de vista) da maneira como os Estados Unidos olham a região e respeitam sua diversidade."SUSAo expor os grandes temas que devem ser tocados no primeiro encontro entre Lula e Obama, o ministro refutou a avaliação de que, ao se aproximar dos Estados Unidos, o Brasil acabaria perdendo influência na América Latina. A tese foi defendida pelo Diálogo Interamericano, centro de análise política com sede em Washington. O chanceler, ao contrário, advogou o aprofundamento da cooperação bilateral e insistiu que a "afinidade indiscutível de pensamento" entre Obama e Lula - expressa em frases do norte-americano ditas pelo brasileiro anteriormente - será de grande valia nesse processo. "Há uma afinidade intelectual que vai permitir que essa relação, que já é boa, possa ser mais aprofundada", afirmou.Em sintonia com sua percepção de que Brasília pode influenciar os pontos de vista de Washington, Amorim declarou que os EUA poderiam "aprender com o nosso Sistema Único de Saúde (SUS)" ao reformar seu sistema de saúde.A universalização do atendimento de saúde foi uma das promessas de campanha de Obama.

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