Nos EUA, Dilma passa o dia preparando a fala na ONU

No discurso de abertura da Assembleia-Geral, ela falará de governança na internet, de direitos humanos e espionagem

Tânia Monteiro e Claudia Trevisan, enviadas especiais a Nova York, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2013 | 22h56

Depois de cancelar a visita de Estado a Washington, a presidente Dilma Rousseff dividirá nesta terça a plenária da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas com o americano Barack Obama, principal alvo das críticas que ela fará em seu discurso de abertura do evento.

Dilma pretende usar o encontro para pedir o estabelecimento de uma governança global sobre a internet, que - pelo menos em tese - possa impedir sua utilização por serviços de espionagem. Seu texto apresentará a invasão de privacidade dos cidadãos como uma violação de direitos humanos.

Obama discursará em seguida - e não está claro se fará alguma menção ao assunto. Também não se sabe se ele assistirá ao pronunciamento no plenário ou na sala VIP, onde os líderes se preparam para entrar no local. Segundo a assessoria do Planalto, até ontem a presidente não havia decidido se permanece no plenário para ouvir o discurso do americano. Desde as revelações do ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden, Obama tenta aplacar o descontentamento de aliados prometendo rever as atividades de inteligência do país.

Em briefing sobre a Assembleia-Geral, o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, afirmou que o objetivo de Obama é assegurar que as ações sejam focadas em questões como terrorismo, armas de destruição em massa e problemas relacionados à segurança e não sejam direcionadas a "amigos" dos Estados Unidos. Rhodes deixou claro que os EUA não abandonarão sua convicção de que o país deve ter uma comunidade de inteligência "robusta" e que isso é importante para a segurança do seu país e dos seus aliados.

A presidente chegou a Nova York às 6 horas de segunda e passou o dia finalizando seu discurso, com ajuda dos ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e o assessor especial Marco Aurélio Garcia. Antes da abertura, Dilma falará com o secretário-geral da entidade, Ban Ki Moon.

No fim da tarde dessa segunda, Dilma recebeu por uma hora o ex-presidente Bill Clinton, com quem discutiu as atividades da Clinton Global Initiative. Clinton saiu do encontro com um único comentário: "Foi ótimo".

O último compromisso do dia foi com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. O Brasil tem pendente, com o país vizinho, uma série de entraves impostos pelos argentinos às exportações brasileiras.

 

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