Nos EUA, Levy tenta emplacar agenda pós-ajuste e fisgar investidores

Considerado o “fiador” da atual política econômica brasileira pelo mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, desconsiderou recomendações médicas e viajou aos Estados Unidos para convencer investidores a apostar no país, apesar da economia em recessão e repleta de indicadores ruins. 

Lorenna Rodrigues, BRASÍLIA

28 de junho de 2015 | 17h52

Para ele, a missão é prioritária porque abre a agenda “pós-ajuste”. Se o primeiro semestre foi marcado pela discussão das medidas fiscais, ele quer agora, no centro do debate, o programa de infraestrutura e outras medidas de recuperação econômica.

Na sexta-feira, Levy foi internado com quadro de embolia pulmonar em Brasília, o que atrasou, mas não o levou a cancelar, a viagem para acompanhar a presidente Dilma Rousseff ao país norte-americano. Para quem conhece o ministro, seria difícil que algo o impedisse de embarcar. “Levy é 'fominha', perfeccionista”, afirma uma fonte do governo. “Ele aposta muito nessa viagem. O plano dele não se restringe ao ajuste, tem também produtividade, investimento, parceria comercial. Ele quer mudar essa agenda”, completou a fonte. 

Levy foi um dos principais responsáveis pela programação da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, servindo como ponte com o setor privado. Outros ministros também buscarão convencer investidores norte-americanos a aportar recursos no Brasil, principalmente o do Planejamento, Nelson Barbosa, e do Desenvolvimento, Armando Monteiro. 

A presença de Levy, no entanto, tem grande peso, principalmente entre representantes do setor financeiro – não por acaso, o primeiro compromisso de Levy hoje em Nova York. 

Com grandes empreiteiras brasileiras investigadas pela Operação Lava-Jato, a missão de toda a comitiva é vender aos investidores internacionais o plano de concessões de infraestrutura à iniciativa privada, lançado no início do mês. 

Serão apresentados projetos e oportunidades em áreas como rodovias e ferrovias e aeroportos. 

Para o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, a viagem aos EUA faz parte da nova fase da política comercial brasileira, de aproximação com economias mais dinâmicas. “Essa visita inaugura um novo ciclo de integração da economia brasileira, um primeiro esforço de reduzir o isolamento comercial do Brasil. O papel dele é muito importante nessa visita”, afirma.

Na agenda, estão ainda encontros com empresários do setor produtivo, participação no Encontro empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil, uma audiência com o diplomata e ganhador do nobel da paz Henry Kissinger, além do jantar oferecido pelo presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama.  

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