Nos bastidores, PSDB avalia perfil de sucessor de Temer

Para o partido, é preciso que nome tenha filiação partidária, aglutine base aliada, não seja investigado pela Lava Jato e se comprometa com reformas

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2017 | 16h55

BRASÍLIA - A cúpula do PSDB já avalia o perfil ideal de um candidato para substituir Michel Temer, caso a situação do presidente fique insustentável e haja eleição indireta no Congresso. Para os tucanos, o eventual sucessor de Temer precisa ter filiação partidária, aglutinar a base aliada, não ser investigado pela Lava Jato e se comprometer a dar continuidade às reformas trabalhista e da Previdência.

O perfil traçado pelos tucanos exclui tanto a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, que não é filiada a nenhum partido, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), alvo da Lava Jato. Em conversas reservadas, a ida de Cármen para o Planalto é tratada como “sonho de uma noite de verão”.

A gravidade da crise política e seus desdobramentos foram os principais assuntos de uma conversa informal entre peemedebistas e tucanos, neste domingo, 21, na casa do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), após o jantar de Temer com ministros e parlamentares, no Palácio da Alvorada.

Atingido pelas delações da JBS, Temer tem repetido que não vai renunciar ao cargo porque provará sua inocência. “Não sou homem de cair de joelhos. Caio de pé”, disse ele. Se o presidente sair, Maia assume o cargo por 30 dias e, após esse prazo, é realizada eleição indireta pelo Congresso. O PT e outros partidos de oposição empunham a bandeira das "diretas já", mas, para isso, é preciso que a Câmara e o Senado aprovem uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

A saída alternativa que o PSDB procura sofre divergências dentro da própria base aliada. Na avaliação de integrantes do DEM, Maia seria o “candidato natural” no caso de uma queda de Temer e tem condições de se defender. Dirigentes do partido dizem que não será aprovado qualquer "aventura" fora do Congresso para uma disputa à Presidência por eleição indireta.

Uma ala do PSDB prega o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outra, a do presidente do partido, Tasso Jereissati (CE). Fiador das reformas da Previdência e da lei trabalhista, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles integra as fileiras do PSD e também é citado para o posto, embora enfrente resistências na própria base aliada. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, filiado ao PMDB, é outro mencionado para a cadeira de Temer.

Apesar das divergências, dirigentes do PSDB e também do DEM argumentam que todas as articulações têm sido feitas com muito cuidado para não melindrar o PMDB. “Queremos evitar que a queda da Bastilha tenha a identidade de A ou B”, afirmou um tucano. “O quadro é muito grave e estamos avaliando se Temer vai se sustentar. Se não for, precisamos definir as regras da sucessão e deixar que o PMDB forme sua convicção. Não podemos atropelar o PMDB.”

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