Nos bastidores, Centrão reforça discurso de descolamento de Cunha para afastar prejuízo após prisão

Líderes fizeram questão de afirmar que Cunha já não tinha mais influência sobre o grupo; 'Ele não é mais deputado, não é mais político, não é mais da Câmara', disse o deputado Jovair Arantes (GO), líder do PTB na Casa

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 22h11

BRASÍLIA - A prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) prejudica os planos políticos do Centrão - aliança de 13 partidos da base aliada na Câmara liderada por PP, PSD, PR e PTB. Ciente do impacto negativo da detenção do peemedebista para as articulações do bloco na Casa, o grupo reforçou o discurso de descolamento em relação a Cunha, até bem pouco tempo um dos principais líderes do grupo.

Líderes do Centrão fizeram questão de afirmar nesta quarta-feira, ao repercutir a prisão, que Cunha já não tinha mais influência sobre o grupo. O poder do peemedebista, dizem, diminuiu gradativamente desde quando ele deixou a presidência da Câmara, em maio deste ano. “Ele não é mais deputado, não é mais político, não é mais da Câmara”, disse o deputado Jovair Arantes (GO), líder do PTB na Casa.

Desde a cassação de Cunha, em 12 de setembro, o Centrão começou a tentar se descolar do peemedebista. O temor é de que a ligação com o deputado afastado prejudique as articulações do grupo para eleger o próximo presidente da Câmara. Na eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidência da Casa, o bloco acredita que a ligação com Cunha prejudicou o candidato do grupo, Rogério Rosso (PSD-DF).

Na estratégia de descolamento de Cunha, o Centrão até aumentou o tom das críticas contra o parlamentar. “A prisão já era esperada. A qualquer momento poderia acontecer, e aconteceu. Já estava escrito que ele seria chamado a pagar pelo que cometeu”, disse Jovair Arantes, um dos principais nomes do bloco cotado para disputar a sucessão de Rodrigo Maia, em fevereiro de 2017. Rosso também tenta se viabilizar.

Embora prejudique o Centrão, a prisão de Cunha não significa que a chamada antiga oposição (PSDB, DEM, PPS e PSB), que disputa espaço com o grupo na base aliada, não precise se preocupar. Em entrevista ao Estadão após ser cassado, o peemedebista disparou denúncias contra Moreira Franco (PMDB), secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). Moreira é sogro de Rodrigo Maia. 

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