Norte supera Centro-Oeste em ranking do eleitorado e Sul perde participação

Amapá, Pará, Roraima, Amazonas e Acre são os Estados onde os eleitores aumentaram mais

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2010 | 08h37

Na chamada pré-campanha de 2010, os eleitores já viram José Serra (PSDB) tomando chimarrão no Rio Grande do Sul e rezando para o Padre Cícero no Ceará. Dilma Rousseff pilotou um trator no interior de São Paulo e afagou Minas com flores no túmulo de Tancredo Neves. Desde abril, porém, eles não pisaram na região Norte - colégio eleitoral pequeno, mas que se destaca como o que mais cresce no País.

 

Desde as eleições de 2006, o eleitorado do Norte aumentou 11,2% e passou o do Centro-Oeste, que caiu para o último lugar do ranking, apesar de ter crescido 7,6%. Os cinco Estados onde o número de eleitores mais aumentou são nortistas: Amapá, Pará, Roraima, Amazonas e Acre.

 

Houve crescimento abaixo da média nacional no Nordeste, no Sudeste e no Sul. Esta última região é a que mais vem perdendo participação no total. O crescimento de seu eleitorado foi de 16,5% nos últimos dez anos, menos da metade dos 38,5% atingidos pelo Norte.

 

As mudanças nas 27 casas do tabuleiro eleitoral se devem a fenômenos migratórios e a variações na taxa de natalidade. As projeções de população para 2030 indicam continuidade na tendência de encolhimento proporcional do Sul e de crescimento maior do Norte, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

A eleição de 2006 - terceira consecutiva em que houve polarização entre tucanos e petistas - foi marcada pelo contraste regional: no primeiro turno, Nordeste e Norte penderam para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto Sul e Centro-Oeste abraçaram Geraldo Alckmin (PSDB). O Sudeste se dividiu: o tucano venceu em São Paulo, e o petista, nos demais Estados. No segundo turno, Alckmin caiu em todas as regiões e teve votação ainda mais concentrada no Sul e Sudeste.

 

Projeção. Em 2010, a tendência de regionalização do voto é similar, segundo as pesquisas. "Não tenho dúvidas de que isso vai se repetir", disse o sociólogo Alberto Almeida, diretor do instituto de pesquisas Análise e autor dos livros A Cabeça do Eleitor e A Cabeça do Brasileiro. Almeida prevê que, como Alckmin, Serra terá desempenho acima de sua média no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, enquanto Dilma repetirá Lula ao colher seus melhores resultados no Norte e no Nordeste.

 

Os fenômenos que turbinaram o presidente entre o eleitorado nortista e nordestino em 2006 estão presentes também neste ano: o crescimento mais acentuado da renda e do consumo e a maior abrangência dos programas sociais do governo federal naquelas regiões.

 

Segundo estudo do Ministério do Trabalho, Norte e Nordeste lideraram o ranking de criação de empregos formais de 2003 a 2009 - o aumento foi de 67% e de 48%, respectivamente. É lá também que a valorização do salário mínimo acima da inflação teve impacto maior, pois a parcela que recebe o piso é mais ampla que nas demais regiões.

 

Geografia do voto. A consolidação de um bipartidarismo de fato no plano nacional pode ensejar um quadro com redutos tradicionais para PSDB e PT. Nos Estados Unidos, o mapa eleitoral situa republicanos no centro-sul, enquanto democratas se concentram no norte e nas costas leste e oeste. São os red states e blue states, em alusão às cores vermelha e azul, dos dois partidos. Já Estados sem maioria definida são os swing states, cujo eleitorado oscila entre as legendas. Como costumam desempatar os embates em que há equilíbrio de forças, são chamados de battleground states - ou Estados "campos de batalha".

 

No Brasil, o Estado que mais se assemelha a um campo de batalha, na acepção americana, é Minas. Em 2002 e em 2006, Lula venceu lá a disputa presidencial, mas os tucanos ganharam a disputa estadual, com Aécio Neves.

 

Segundo maior colégio eleitoral do País, Minas concentra 14,4 milhões de votantes - mais do que a soma de Mato Grosso, Amazonas, Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima.

 

Com o mapa brasileiro dividido em duas cores e áreas contíguas, é corrente a avaliação de que vencerá a eleição quem conquistar os mineiros. É por isso que Serra se esforçou tanto para ter Aécio como vice. E é por isso que Dilma, nascida em Belo Horizonte, não perde oportunidades de destacar a sua "mineiridade".

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