Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Norma que pode punir Pazuello serve para 'evitar anarquia' no Exército, diz Mourão

Vice-presidente da República afirmou ainda que dizer que ex-ministro seguia ordens do presidente Jair Bolsonaro seria 'entendimento meio canhestro da coisa'

Redação, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2021 | 17h45

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse, nesta quinta-feira, que a possível punição a ser aplicada ao general Eduardo Pazuello por participar de um ato político com o presidente Jair Bolsonaro é baseada em normas “para evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças (Armadas)”. Segundo ele, que é general da reserva, o colega será punido se o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, entender que os atos do ex-ministro da Saúde de fato infringiram as normas da corporação.

“A regra tem que ser aplicada para evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças. Assim como tem gente que é simpática ao governo, tem gente que não é. Então, cada um tem que permanecer dentro da linha que as Forças Armadas têm que adotar. As Forças Armadas são apartidárias, elas não têm partido, o partido das Forças Armadas é o Brasil”, disse o vice-presidente.

Pazuello é alvo de um procedimento disciplinar por ter participado, ao lado de Bolsonaro, de um ato com seus apoiadores no Rio de Janeiro, no último domingo, o que foi considerado uma possível infração a normas do Exército que proíbem a participação de militares da ativa nesse tipo de evento político.

O fato de Pazuello estar ao lado do presidente – comandante supremo das Forças Armadas – foi apontado por apoiadores como possível atenuante à ação do ex-ministro, uma vez que ele estaria cumprindo ordens do presidente. Mourão discordou: “Isso aí é um entendimento meio canhestro da coisa”.

O vice-presidente, que foi para a reserva após fazer críticas à presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015, defendeu no começo da semana que o ex-ministro adotasse a mesma atitude para “atenuar o problema”. Chegou a comentar, inclusive, que Pazuello reconheceria o erro e já teria colocado "a cabeça no cutelo", o que só agravou a relação já tumultuada entre os dois, como mostrou a supercoluna Bolsonaro e o Congresso.  

Meio ambiente

O vice-presidente disse ainda que prefere atribuir a ausência do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião ocorrida na quarta-feira do Conselho da Amazônia, o qual Mourão coordena, aos “problemas pessoais” que Salles está enfrentado. O ministro é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suas ligações com madeireiros que atuam na exportação ilegal.

“Eu prefiro colocar a situação que ocorreu ontem (quarta-feira) em cima dos problemas pessoais que o ministro está enfrentando. Não estou no sapato dele. Então, acho que ele está enfrentando uma situação difícil aí”,afirmou Mourão.

O ministro do STF Alexandre de Moraes revogou o sigilo do inquérito nesta quarta, revelando apurações sobre repasses financeiros suspeitos ao escritório de advocacia que o ministro mantém com a mãe.  

“Eu não sei, eu não li isso. Até a minha equipe aqui teve acesso. Mas é (um inquérito) enorme, são umas 400 folhas, mais ou menos. Então, tem que aguardar uma avaliação daquilo ali. Mas é como eu disse: todas as investigações se baseiam em indícios”, disse o vice-presidente. “Ela (a investigação) vai correr, esse processo investigatório até que o delegado que está encarregado chegue à conclusão se vai denunciar, se não vai, e se a autoridade judiciária vai acolher ou não. Então, segue o processo legal”, afirmou.

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