Nordestinos estão voltando para casa, aponta IBGE

O fenômeno da migração, especialmente de nordestinos em direção ao Sudeste, em busca de melhores oportunidades, continuou a existir ao longo da década de 90, mas uma nova corrente foi identificada pela Tabulação Avançada do Censo 2000: saindo do Sudeste em direção ao Nordeste, indicando um possível retorno de migrantes para a terra natal. "O Fluxo do Sudeste para o Nordeste indica um possível retorno dos nordestinos, seja por infelicidade ou por sucesso. Os que estão voltando por fracasso em geral são mais jovens e não encontraram boas chances no Sudeste. Há também os que foram bem-sucedidos e estão voltando para a terra natal e são mais velhos", diz o responsável pela análise dos dados de migração do censo, Fernando Albuquerque.A pesquisa registra um aumento de 334 mil para 458 mil no número de pessoas que deixaram a região Sudeste e migraram para o Nordeste. Para traçar um panorama da migração, os recenseadores perguntam onde as pessoas residiam cinco anos antes da data da pesquisa. Foram comparados dados do ano de 1995 (feitos pelo Censo 2000) e de 1986 (feitos pelo censo de 1991). O número de nordestinos chegando ao Sudeste, porém, continua alto. O censo de 1991 registrou a chegada de 917 mil nordestinos no Sudeste, enquanto a pesquisa de 2000 encontrou 1 milhão na mesma situação.A comparação entre quantas pessoas nasceram e quantas moram em uma região é outro indicativo das áreas expulsoras e daquelas que atraem moradores. Enquanto 55,4 milhões de brasileiros nasceram no Nordeste, a população residente na região é de 47,7 milhões. Já no Sudeste, onde nasceram 66,8 milhões de pessoas, vivem 72,4 milhões.PaulistasDe 169,7 milhões de habitantes, 18% são nascidos no Estado de São Paulo, revela o Censo 2000. Ou seja, a maior parte dos brasileiros é paulista de nascimento. O Estado, no entanto, tem população residente bem maior: 22% da população brasileira vive em São Paulo, representando 37 milhões de pessoas.Segundo Fernando Albuquerque, a tendência no Brasil é de redução no movimento migratório, especialmente em grandes distâncias. "As migrações para o Norte caíram muito em função da diminuição das atividades agrícolas e minerais e também caíram no Centro-Oeste." Grande ponto de atração de migrantes até os anos 80, o Norte teve um saldo migratório (diferença entre o número de pessoas que chegaram à região e as que deixaram) de 131 mil pessoas registrado no censo anterior e de apenas 33 mil no Censo 2000. Também o Sudeste teve queda no saldo migratório, apesar de os números serem bem maiores: chegaram à região 640 mil pessoas a mais do que saíram no censo de 1991. No último levantamento, o saldo foi de 595 mil. As regiões Sul e Nordeste têm saldo negativo, ou seja, saíram mais pessoas do que entraram. Só que entre os sulistas o saldo está quase zerado. Enquanto no censo anterior saíram 185 mil pessoas a mais do que entraram, no Censo 2000 esse número é de apenas 585 pessoas. "No passado houve uma grande saída do Sul em direção ao Norte e ao Centro-Oeste, mas essas fronteiras se esgotaram", diz Fernando Albuquerque.

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