´Nordeste não pode ser apenas reprodutor de pobre´, diz Lula

Discurso foi feito durante liberação de R$1, 4 bilhão de investimentos no PAC

Angela Lacerda, do Estadão

12 de julho de 2007 | 18h30

Ao anunciar nesta quinta-feira, 12, em Olinda, a liberação de R$ 1,4 bilhão de investimentos federais no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de saneamento e urbanização de favelas em 20 municípios pernambucanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva frisou que o Nordeste não pode continuar sendo "a faixa no mapa brasileiro reprodutor de pobre"."Não queremos tirar nada de ninguém, queremos nos recolocar no mapa deste País", disse ele, ovacionado pela platéia que lotou o Teatro Guararapes, no Centro de Convenções. "Temos o direito de crescer". "Não somos apenas exportadores de pobres para os Estados mais ricos, não queremos ser só pedreiros, queremos ser engenheiros, médicos", disse o presidente ao defender investimento na educação da região e ao reforçar seu compromisso de tornar o Brasil mais equânime. "Por que o Nordeste tem que ser por mais um século a parte atrasada do Brasil?"Ele abordou o assunto ao se referir a quem se mostra incomodado com as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) sob o argumento de que "vai acabar com a indústria não sei de onde, não sei das quantas". "Não queremos o pão dos outros, queremos dividir o pão".Pior que galinha para botar ovoO presidente se antecipou a uma provável demora na realização das obras, que irão beneficiar 800 mil famílias no Estado, e pediu paciência. "É mais difícil do que a galinha para botar um ovo", disse, referindo-se à burocracia e todos os trâmites a serem percorridos. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse esperar que ainda neste ano as obras do PAC em todo o Brasil tenham início. Em Pernambuco, "se tudo correr bem", elas deverão começar a se concretizar a partir de fevereiro. Com as contrapartidas do Estado e municípios, as obras representam no Estado um total de R$1,6 bilhão."Quando a gente sair daqui, a obra não vai começar", disse o presidente, ao pedir o esforço de governo estadual e prefeitos junto com a sociedade, o Tribunal de Contas estadual, o Ministério Público e órgãos ligados ao meio-ambiente. "O que estamos dizendo aqui para os prefeitos e governador é que o projeto de vocês é bom, está avaliado, vocês têm projeto executivo e projeto básico, o dinheiro está disponibilizado", ensinou o presidente, de forma didática. Ao falar sobre a importância do saneamento, Lula relembrou os tempos de enchentes em São Paulo, solidarizando-se com quem é vítima do problema. Aos 11 anos, enfrentou enchente de um metro na Rua Auriverde, na Vila Carioca, com oito famílias, 30 pessoas, com um banheiro só. Depois mudou-se para a Rua Verão, mais alta, mas alguns meses depois, em janeiro de 1964, acordou à meia-noite, "com rato disputando espaço com barata, com merda boiando na ponta do nariz, água batendo no colchão".Ele observou que em 2007 muita gente vive essa situação que ele viveu na década de 60 porque os governantes brasileiros não fizeram que deveriam ter feito. "Esse programa (PAC) precisa dar certo", disse ao comentar a mediocridade de "algumas pessoas que acham que só terão chance na vida de vencer se eu (o presidente) fracassar"."Mas se eu fracassar, o fracasso não é meu, o prejudicado será o povo desse País", completou Lula."Os que hoje querem me prejudicar, quando eu não for mais presidente, vão me convidar para fazer palestras para eles e vão me pagar", frisou.

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