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Nona fase da Lava Jato é batizada de 'My Way'

Nome faz referência a como um dos delatores chamava o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque, acusado de participar do esquema de desvios na estatal

Fábio Fabrini e Andreza Matais, O Estado de S. Pa

05 Fevereiro 2015 | 09h15

BRASÍLIA - A nona fase da Operação Lava Jato deflagrada nesta quinta-feira, 5, foi batizada pela Policia Federal de "My Way" (Meu Jeito), em referência a como um dos delatores do esquema, o ex-gerente-executivo da Petrobrás Pedro Barusco, se referia ao ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque, acusado de participar do esquema de corrupção na empresa.

As informações de Barusco, que atuava na diretoria comandada por Duque, sobre o esquema de desvios, somadas a de uma nova testemunha ligada a uma fornecedora da petroleira, foram fundamentais para a investigação iniciada nesta nova fase. Apesar da homenagem, o Estado apurou que Duque não é alvo dos mandados cumpridos nesta manhã.

Um dos maiores sucessos de Frank Sinatra, My Way (Meu Jeito) parece ser a crônica, transposta para versos, da Operação Lava Jato. Na primeira estrofe, a canção anuncia: "E agora o fim está próximo / E eu encaro a cortina final".


A música também evoca uma das principais características da Lava Jato, marcada por inúmeras delações premiadas: "Arrependimentos, eu tive alguns", cantou Sinatra. "Teve horas / Eu tenho certeza de que você sabe / Quando eu mordi mais do que podia mastigar", prossegue "My way", composta por Paul Anka, Jacques



Reveaux e Claude François.

Delator. Pedro Barusco era gerente-executivo da Diretoria de Serviços, espécie de número 2 do ex-diretor Renato Duque, também alvo da Lava Jato. No decorrer das investigações, Barusco fez delação premiada e concordou em devolver US$ 100 milhões, desviados por meio do esquema de corrupção na Petrobrás.

O ex-gerente confessou ter recebido propina em mais de 60 contratos da estatal, juntamente com Duque, entre eles os firmados com grandes empreiteiras que tocavam obras de refinarias. Das comissões recebidas, US$ 22 milhões seriam provenientes da SBM Offshore, empresa holandesa que aluga plataformas e tem negócios de US$ 27 bilhões com a companhia petrolífera.

Nos relatórios internos da Petrobrás, concluídos em novembro, Barusco e Duque são responsabilizados por diversas irregularidades em obras, entre elas a elevação dos custos da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo orçamento saltou de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 24 bilhões. Parte do superfaturamento alimentou o esquema de corrupção, segundo a Lava Jato.

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