Nomes novos entram no páreo para o governo de SP em 2010

Derrotados na capital, PT e PSDB cogitam quadros pouco conhecidos e sem experiência nas urnas

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

Rivais tradicionais no maior colégio eleitoral do País, PT e PSDB já admitem a possibilidade de encarar as urnas paulistas em 2010 com nomes menos conhecidos do eleitorado ou que, em alguns casos, jamais disputaram uma eleição. Fortalecidos pelo fracasso das duas siglas na última disputa na capital paulista, quadros com menor projeção política passaram a ser cotados para encabeçar as chapas da corrida estadual.Na sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a derrota da ex-ministra Marta Suplicy abriu uma brecha para um nome até então cogitado como alternativa pouco provável para o Planalto, no caso de um imprevisto tirar do páreo a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff . Apesar de enfrentar resistências pela total inexperiência nas urnas e pelo perfil técnico, o ministro da Educação, Fernando Haddad, passou a ser citado corriqueiramente em conversas sobre a sucessão.Descrito por desafetos no PT como "um burocrata", Haddad passou de secretário-executivo do Ministério da Educação a titular da pasta em 2005, quando o hoje ministro da Justiça, Tarso Genro, saiu para comandar o PT na crise do mensalão. Sem visibilidade, mas com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele resistiu, por exemplo, às pressões do grupo de Marta para que ela assumisse a pasta em 2007. Haddad foi lançado internamente para o governo por partidários da Mensagem ao Partido, corrente petista nascida da tese da necessidade de "refundação" da sigla, propagada por Tarso. Mas até seus apoiadores admitem que há forte oposição ao seu nome em setores do PT paulista, que já se articulam em torno de pré-candidatos como o ex-ministro Antonio Palocci.No PSDB, as atenções estão cada vez mais voltadas para o secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira Filho. Braço direito do governador José Serra, ele está longe de ser novato em eleições, apesar de nunca ter disputado um cargo majoritário pelo PSDB. Várias vezes deputado federal, ele disputou a Prefeitura de São Paulo e foi vice-governador sob o comando de Luiz Antonio Fleury Filho, quando ainda integrava os quadros do PMDB. No governo Fernando Henrique Cardoso, comandou a Secretaria Geral da Presidência e o Ministério da Justiça. Mas, desde então, se distanciou dos holofotes até assumir o papel de articulador político de Serra. Além de Haddad e Aloysio, outros aparecem na lista. No PT, até o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, e o ex-prefeito de Guarulhos, Elói Pietá, são lembrados. Já o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), diz abertamente que está no páreo.Entre tucanos, aparece ainda o vice-governador Alberto Goldman. Já o deputado José Aníbal (SP) confessou a aliados que tem interesse na vaga. Outra possibilidade seria o PSDB abrir mão do posto e apoiar o DEM. Há quem defenda a candidatura do prefeito Gilberto Kassab ou ainda do secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM), cotado também para uma candidatura a vice-governador. EFEITO KASSAB A ideia de buscar alternativas para a disputa de 2010 em São Paulo avançou no PT e no PSDB, em parte como reflexo da última eleição. Mesmo com candidatos há muito tempo conhecidos pelo eleitorado, os dois partidos saíram derrotados. Com o apoio de Serra, Kassab desbancou dois veteranos: Marta e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).Abertamente, tucanos e petistas evitam falar em nomes, apesar de as articulações correrem soltas nos dois partidos. O discurso é o de que a definição dependerá da eleição presidencial. "O PT vai trabalhar para casar completamente seus planos e não vejo espaço para quem não fizer o mesmo", diz o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), desconversa: "Ainda é muito cedo". Mas diz ver espaço para novatos e veteranos. "São muitos cargos em jogo."A relação com a disputa presidencial terá um peso ainda maior no PSDB. Se Serra for escolhido candidato ao Planalto, crescem significativamente as chances de Aloysio. Alckmin, que já começa a dar sinais de que não desistirá de concorrer, ganharia com a eventual escolha do governador de Minas, Aécio Neves, para disputar o Planalto. Aliado do ex-governador, o deputado Edson Aparecido (SP) evita polemizar sobre a disputa interna. "Seja quem for o candidato, o prestígio do governo José Serra será a mola propulsora para eleger o sucessor."COLABOROU CARLOS MARCHI

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