Nomeação foi para ajudar o País a sair da crise, diz aliado

Líder do PT na Câmara nega que ida de Lula para a Casa Civil tenha sido motivada pelela obtenção do foro privilegiado

Julia Lindner e Daiene Cardoso, Agência Estado

16 de março de 2016 | 13h35

 

 

Brasília - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Afonso Florence (BA), afirmou que o único motivo que levou Lula a aceitar o convite da presidente Dilma Rousseff foi "o intuito de ajudar o País a sair da crise econômica e política". Ele negou que a ida do presidente ao ministério tenha sido motivada pela obtenção do foro privilegiado.

Florense anunciou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia aceitado o cargo de ministro-chefe da Casa Civil - antes mesmo do anúncio oficial da presidência da República, que ainda não ocorreu. 

"O foro privilegiado nunca foi e nunca será motivo de obstaculização de investigações. Nós não temos nenhuma incidência, e nem pretendemos ter, ao ter Lula como ministro, no curso das investigações", afirmou Florence. Segundo o líder do PT, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma "sempre patrocinaram todas as investigações" e irão "continuar a contribuir para que as investigações sejam feitas de acordo com o devido processo legal". "Eles sempre trataram a Procuradoria da República como estadistas, respeitando sua autonomia", completou. Florence admitiu que o ex-presidente Lula ficou com receio de ser "mal interpretado" com a decisão. 

 

Ele defendeu que Lula possui larga experiência, "testada e aprovada" pelos brasileiros que o elegeram, o que ajudará o Brasil. "A decisão de Lula aceitar o cargo decorre do compromisso dele com o País. Houve uma convocação nacional para que ele aceitasse o cargo, importantes setores da sociedade brasileira, juristas, intelectuais e políticos se pronunciaram dizendo que era dado o momento de ele assumir essa responsabilidade. Ele aceitou única e exclusivamente motivado pelo propósito de ajudar o Brasil a sair da crise política e econômica." 

 

Perguntado se a ida de Lula para o governo enfraqueceria a presidente Dilma Rousseff, Florence disse que "a autoridade da presidente é dada por mais de 50 milhões de votos. Ela é inquestionável". Sobre a divulgação da delação premiada do senador e ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (MS), Florence minimizou e disse que "as citações a Lula e a Dilma não configuram nenhuma irregularidade". De acordo com o líder, o principal assunto na reunião do governo ontem era a ida de Lula ao ministério da Casa Civil, e não a delação de Delcídio. 

 

Florence criticou o anúncio da oposição de querer barrar a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil. "A oposição tem direito de querer nomear ministro, só que para isso tem que ganhar a eleição. Fica tentando fazer isso no tapetão, mas não pode ter sucesso esse tipo de iniciativa. Quando a oposição ganhar eleição, aí pode nomear ministros". Florence acredita que "a crise política não se justifica" e que "não há motivo para impeachment" da presidente Dilma. Vários integrantes do partido consideram que a ida de Lula ao ministério pode contribuir para fortalecer a articulação política do partido no Congresso e enfraquecer o processo de impedimento da presidente.

 

 

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