Nomeação fica sob desconfiança

Líderes avisam que Senado avaliará escolha com ?lupa?

Christiane Samarco e Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

O Planalto pode acabar pagando a fatura política da troca de mensagens entre os ministros do STF Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia. Como os dois especularam sobre a ligação entre o julgamento do caso do mensalão e a sucessão do ministro Sepúlveda Pertence, recém-aposentado, instalou-se no Senado um clima de desconfiança em relação ao governo.Líderes aliados e de oposição advertem que a próxima indicação do presidente Lula para o STF será analisada "com lupa" pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário do Senado, que têm de aprovar a escolha. "Esse episódio é grave e precisa ser explicado", diz o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). "A indicação do futuro ministro do Supremo vai gerar suspeita e é evidente que terá repercussão futura na CCJ e no plenário", avisa Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), da CCJ.Na avaliação dos líderes, o prejuízo maior ficará para o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Carlos Alberto Menezes Direito, tido como o mais cotado para ocupar a vaga de Pertence. Para um senador governista, se ele "tinha boas chances de ser escolhido, não tem mais".O problema do Planalto é que, se a decisão for bancar a escolha do ministro do STJ, Lula não vai poder esperar que o episódio da troca de mensagens esfrie. Um aliado lembra que em 8 de setembro Direito fará 65 anos e, pela Constituição, não poderá mais ser nomeado para o STF. "Se vier um nome e alguém levantar dúvidas em torno da escolha, vamos debater. As suspeitas devem ser respondidas sem maiores problemas", diz o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).Para Almeida Lima (PMDB-SE), seja qual for o desfecho desse episódio, o "Senado será muito mais rigoroso na sabatina" do próximo indicado do governo para o Supremo. "Ele será questionado, provocado e tudo que disser respeito à sua vida pregressa será levantado, do comportamento pessoal às decisões públicas e profissionais tomadas por ele", avalia.

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