Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Nomeação de Serraglio cria divergências no PMDB da Câmara

Para parlamentares, indicado de Temer para a Justiça não é uma forte liderança na bancada capaz de atrair votos para reformas do governo

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2017 | 17h13

BRASÍLIA - A indicação do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça tem causado desconforto dentro do PMDB da Câmara. Deputados externaram preocupação com a pouca influência que paranaense tem sobre a bancada do PMDB e a dificuldade de reverter sua nomeação em apoio à agenda de Temer.

"Por mais que se diga que (o partido) está reunido em torno de um nome, não é assim que funciona. O ministro Osmar terá que provar ao presidente Temer que será capaz de dar os votos do PMDB para aprovar as reformas", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Para o deputado, não existe consenso quando se fala em PMDB e uma das dificuldades que o novo ministro vai enfrentar é unificar o partido. 

O Ministério da Justiça era uma pasta do PSDB e a nomeação de um peemedebista deveria fortalecer a bancada e trazer apoio para as votações das reformas de Temer, como a da Previdência e a trabalhista, que já estão em discussão na Câmara. No entanto, entre os deputados do PMDB, a leitura é de que Serraglio não é uma forte liderança na bancada. Eles duvidam da capacidade de Serraglio de converter votos.

A nomeação também teria causado desentendimentos com o líder da bancada, Baleia Rossi (PMDB-SP). Isso porque, segundo relatos de deputados, a maior parte da bancada não estava ciente da escolha de Temer. A assessoria do líder, entretanto, alega que a indicação de Serraglio foi conversada com quase todos os deputados do PMDB antes da confirmação do nome.

A decisão fez também o primeiro-vice-presidente da Câmara e coordenador da bancada de Minas Gerais na Casa, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), anunciar rompimento pessoal com o governo do presidente Michel Temer pelo fato de a bancada mineira ter sido preterida na negociação. “Estou rompendo com o governo e vou colocar toda a bancada de Minas para romper também. Se Minas Gerais não tem ninguém capacitado para ser ministro, não devemos apoiar esse governo. Vou trabalhar no plenário contra o governo, para derrotar o governo em tudo. A vice-presidência da Câmara vai ser um ponto de apoio aos que não estão contentes”, afirmou Ramalho 

Divergências. Essa é mais uma das divergências que o PMDB e o governo têm enfrentado nesta semana. Nessa quarta, 22, o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), protagonizou desentendimento público com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. 

Enquanto governo afirmou em entrevista ao jornal Valor que o PMDB não fechará questão na votação da reforma da Previdência, Jucá respondeu em nota que nenhuma posição havia sido tomada pela bancada ainda, mas que havia possibilidade de fechar questão. A expressão significa formar um acordo para que todos os deputados votem a favor do projeto, com risco de punição àqueles que descumprirem o combinado. 

 

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