Adriano Machado/REUTERS
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Nomeação de indicado do DEM gera crítica a Ramos

Marco Feliciano diz que governo ‘passa mau exemplo’ ao ‘premiar’ deputado que fez ataques à atual administração

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2019 | 05h00
Atualizado 16 de setembro de 2019 | 15h30

BRASÍLIA – A nomeação do engenheiro Marcelo Andrade Moreira Pinto para o comando da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), indicado pelo líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA), provocou novo desgaste no governo.

O deputado Marco Feliciano (PODE-SP) criticou ontem no Twitter o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, pelo fato de Elmar ter emplacado um apadrinhado, mesmo após ter feito acusações contra a atual gestão.

Vice-líder do governo na Câmara, Feliciano afirmou que o “namoro” de Ramos com o Congresso começou “cheio de traições e ingratidão”. “Governo premia quem trai e passa mau exemplo a quem é fiel! Como todo traído, vai ser o último a saber”, escreveu.

Segundo Feliciano, existe uma insatisfação do Legislativo sobre a distribuição de cargos feita pelo governo. “Acho um absurdo se premiar parlamentares que falam mal do governo e traem o governo com as joias da coroa, com os principais cargos federais”, reforçou.

Em maio, durante votação no plenário da Câmara, Elmar disse que o governo havia adotado um “procedimento canalha”. À época, afirmou, ainda, que não mexia “com laranja”, em referência a suspeitas de candidaturas de laranjas do PSL.

Feliciano ainda mencionou fala de Elmar, publicada pela Coluna do Estadão em setembro, na qual ele disse que a indicação para a Codevasf é “um favor ao governo”, sem quadros para tantos cargos. “Eu considero que o deputado Elmar Nascimento passou dos limites quando esnobou o presidente e fez pouco caso do governo como um todo.”

Ao Estado, Ramos minimizou as críticas de Feliciano e disse que Elmar fez a indicação por ser líder do DEM, partido que tem “votado com o governo”. “O pronunciamento dele (contra o PSL e o Planalto) foi em maio. Isso é uma coisa menor”, afirmou Ramos.

Esta não é a primeira vez que Feliciano critica um integrante da ala militar do governo. O parlamentar, que é membro da bancada evangélica e é próximo aos filhos do presidente Jair Bolsonaro, entrou em atrito com o antecessor de Ramos na Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, e chegou a pedir o impeachment do vice-presidente, Hamilton Mourão.

Antes da cirurgia de Bolsonaro, causou desconforto entre militares uma publicação feita por Feliciano para dizer que ficaria "de olho" em Mourão. Apesar disso, um integrante do grupo avaliou que não vale a pena confrontar Feliciano publicamente, pois ele é visto como alguém “instável" e que não reflete a posição dos evangélicos.

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