Nomeação de Bernardo para Itaipu é suspensa

Ex-ministro é citado na Operação Lava Jato como receptor de valores do esquema ao lado de Gleisi, com quem é casado

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2015 | 02h04

Em meio aos desdobramentos da Operação Lava Jato, a presidente Dilma Rousseff decidiu suspender a nomeação do ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo para a direção-geral brasileira de Itaipu Binacional, usina hidrelétrica mantida com o Paraguai. A escolha de Bernardo para o cargo, cuja remuneração supera os R$ 30 mil, era dada como certa por auxiliares palacianos semanas atrás.

Nesta semana, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato na primeira instância, enviou ao Supremo Tribunal Federal documentos com indícios de repasses ilícitos de um escritório de advocacia para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil no primeiro mandato da presidente. Gleisi e Paulo Bernardo são casados.

A senadora é alvo de investigação da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República porque, segundo delatores, teria recebido R$ 1 milhão para a campanha ao Senado de 2010. A investigação cita também o marido de Gleisi como beneficiário de valores sob suspeita de serem oriundos do esquema de corrupção na Petrobrás.

O casal nega irregularidades nas contas da campanha de Gleisi ao Senado, em 2010, assim como o recebimento de dinheiro vindo do esquema do doleiro Alberto Youssef.

A escolha de Paulo Bernardo, que foi deputado federal pelo PT paranaense, para a direção-geral de Itaipu não foi intermediada pelo vice-presidente Michel Temer nem pelo ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, ambos do PMDB. A dupla vinha cuidando da articulação política do governo e nesta semana deixou o "varejo" da negociação de cargos com partidos aliados.

'Sem informação'. Procurado pela reportagem, o ex-ministro escreveu que não tem "qualquer informação" sobre sua eventual nomeação para Itaipu.

Paulo Bernardo ficou na Esplanada dos Ministérios por dois períodos: em 2005, assumiu o Planejamento, onde ficou até o fim do governo Lula. Com Dilma, foi para as Comunicações, pasta que deixou no dia 2 de janeiro.

O ex-ministro também foi secretário da Fazenda de Mato Grosso do Sul e de Londrina (PR), além de ter sido eleito deputado três vezes.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.