Nomeação de assessor de Barbosa para fundo ofende a moralidade, dizem juízes

Associação ataca a escolha de Wellington Geraldo Silva para presidir o Funpresp-Jud

BRUNO LUPION, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2013 | 20h32

SÃO PAULO - O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Renato Santana, disse nesta quarta-fera, 17, ter ficado "estarrecido" com a nomeação de Wellington Geraldo Silva, assessor de imprensa e biógrafo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, para presidir o conselho deliberativo do milionário fundo de previdência dos servidores do Judiciário - o Funpresp-Jud.

Santana avalia que Silva, "a princípio", não tem preparação técnica para o cargo ao qual foi indicado e é próximo demais de Barbosa para exercer a função. "Esses cargos não são feitos para serem preenchidos por amigos, admiradores ou pessoas do círculo próximo. O fundo vai gerir recursos vultosos", afirmou.

Para o presidente da Anamatra, Silva e Barbosa têm uma relação privada - "ele é biógrafo do ministro, seja lá o que isso significa" - e sua nomeação para o Funpresp-Jud "resvala numa ofensa aos princípios da impessoalidade e da moralidade que devem nortear a administração pública".

Silva não é servidor do Judiciário, mas funcionário do Banco do Brasil (BB). Antes de assessorar Barbosa, foi gerente de Comunicação e Marketing da Previ, fundo de previdência do BB, por 9 anos.

A Anamatra foi contrária à criação do Funpresp-Jud e contesta, no STF, a aprovação da reforma da Previdência, que abriu caminho para a criação de fundos de previdência complementar dos servidores públicos. No entanto, Santana disse que é dever da categoria fiscalizar a administração dos recursos. "Nós questionamos no STF a própria existência do fundo, mas nem por isso vamos ficar vendo ele ser administrado por pessoas que não têm experiência na área", criticou.

Em defesa da sua nomeação, Silva disse na terça-feira, 16, que já participou de "diversos congressos de Fundos de Pensão, além de seminários sobre o setor” e foi conselheiro de empresas como Bunge Alimentos, Randon, Sadia e Inepar.

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