Nomeação de Alckmin não isola Aécio no PSDB, afirma Guerra

Segundo presidente nacional do partido, indicação feita por Serra serviu para unificar o PSDB em São Paulo

Raquel Massote, da Agência Estado,

21 de janeiro de 2009 | 17h25

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), se reuniu nesta quarta-feira, 21, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na tentativa de apagar o incêndio causado pela escolha do ex-governador Geraldo Alckmin para compor o secretariado de José Serra, em São Paulo. A manobra política do governador paulista tiraria de Aécio, eventual adversário em uma disputa interna no partido para a indicação a candidato às eleições presidenciais de 2010, o único apoio que teria dentro do PSDB de São Paulo. Veja também:Volta de Alckmin esfria briga de tucanos pelo BandeirantesAntes de assumir governo, Goldman é 'treinado' por Serra "Não há nenhuma tentativa de isolar ninguém, muito menos o governador de Minas Gerais, que não depende disso", enfatizou Sérgio Guerra. Para ele, a escolha de Alckmin para compor o governo de São Paulo, como secretário de Desenvolvimento, seria uma tentativa de unificar o PSDB paulista. "É uma coisa própria e administrativa de São Paulo e política porque foi feita entre políticos." Guerra enfatizou que o partido ainda não possui candidato e no momento não tem nenhuma preferência entre os nomes de Serra e Aécio. "Temos a convicção de que podemos ganhar com Aécio ou com Serra, mas este foi um episódio claramente paulista que não tem nada a ver com a questão do PSDB nacional." O presidente nacional da legenda buscou também minimizar as declarações recentes feitas pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e pelo presidente nacional dos Democratas, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), que defenderam a indicação de Serra para liderar a aliança de oposição à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2010. "A decisão sobre qual deve ser o candidato do PSDB e qual a preferência do PSDB é um assunto do PSDB e de nenhum outro partido. O Democratas cuida deles, nós cuidamos do PSDB." De acordo com ele, o DEM tende a fazer uma aliança em torno do candidato escolhido pelos tucanos. "Essa é a verdade do DEM, não há outra", garantiu. A indicação do partido, conforme o senador, irá obedecer duas frentes. A primeira seria a tentativa de entendimento entre os dois potenciais candidatos. Na falta disso, segundo ele, haveria uma prévia "aberta e tranquila". Ele disse não temer que o acirramento da disputa entre os dois governadores leve Aécio a deixar o PSDB para concorrer às eleições por outro partido. "Não temo que Aécio deixe o PSDB. Os eleitorados de Minas e de São Paulo são decisivos para qualquer partido. O que nós queremos é que a ação desses eleitorados seja compatível e que tenhamos a maioria dos eleitorados dos dois Estados com um único candidato." Prévias Nesta quarta, o secretário-geral do PSDB, Rodrigo de Castro, informou que o partido ainda aguarda um posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as consultas feitas pela legenda em relação às prévias, principalmente sobre as limitações legais de ordem financeira e de propaganda. A expectativa, conforme Guerra, é de que o partido esclareça todas as regras ainda no primeiro semestre para que a escolha possa ocorrer na segunda metade deste ano. "Não há clima nem confronto, 90% disso é fantasia, total fantasia. Evidente que poderá haver disputa, até em primárias. Não temos nada contra prévias, ao contrário, precisamos delas se houver dois candidatos. Se não houver, não vamos fazer prévias", afirmou. Sobre as eleições para a presidência do Senado, Guerra informou que o partido deve se reunir ainda nesta semana para definir qual candidato apoiará. Ele afirma que não há nenhum tipo de restrição à candidatura do senador Tião Viana (PT-AC) e que os 13 senadores do partido deverão votar unidos.

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