Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Nome de Wallace Moreira Bastos para Funai promete embate no governo

Currículo do atual subsecretário do Ministério dos Transportes não indica que ele tenha trabalhado com assuntos indígenas no passado

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2018 | 19h46

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer foi advertido de que vai iniciar a semana com um novo problema, se atender ao pedido do líder do governo no Congresso Nacional, deputado André Moura (PSC-SE), que levou ao Planalto o nome de Wallace Moreira Bastos, subsecretário de Assuntos Administrativos do Ministério dos Transportes, para assumir o cargo de presidente da Funai - Fundação Nacional do Índio. O nome de Wallace foi apresentado ao Planalto por Moura, como indicação do PSC e com apoio da bancada ruralista.

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Wallace Bastos, apesar de estar há pelo menos três anos no Ministério do Transportes, é pregoeiro concursado da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), onde foi presidente da comissão permanente de licitação. Ele é também, desde maio do ano passado, membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão - Codomar.

No seu currículo, no entanto, não há nenhuma indicação de ter trabalhado na área indígena ou ligação ou conhecimento com o delicado setor. Wallace está indicado para assumir o cargo no lugar do general Franklimberg Ribeiro de Freitas, que entregou, na última quinta-feira, seu pedido de demissão. Seu currículo, publicado no site do Ministério dos Transportes, informa ainda que ele foi sócio proprietário e gestor, entre 2002 e 2008 das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de vendas da Ambev.

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Na semana que vem, quando está previsto que o nome de Wallace será referendado, estará sendo realizada em Brasília, a semana da Aldeia Indígena. Por conta disso, Temer foi avisado de que, naturalmente, a escolha levará a protestos e mobilização das organizações não governamentais ligadas aos indígenas, contra a indicação.

Ciente do problema que se avizinha, o presidente pediu ao ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, que procurasse um nome alternativo, também ligado à bancada do PSC, porém, mais ligado à área, mas a pressão do Congresso está muito forte. A Funai é subordinada ao Ministério da Justiça.

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O deputado André Moura avisou ao Planalto que as bancadas só fecharão votação da pauta econômica com 15 itens, que o governo quer levar adiante a partir da semana que vem, se Wallace Bastos for indicado. A pauta econômica inclui, por exemplo, a privatização da Eletrobrás, projeto prioritário para o Planalto, neste momento, e o cadastro positivo.

A queda de braço ainda não está resolvida e representa apenas uma das tantas pressões e cobranças que Temer vem sofrendo para aprovar pautas no Congresso. Procurado, Wallace Bastos não respondeu à reportagem. 

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