Nome de Sarney para sucessor é mal recebido

No lugar de Renan, governistas não querem alguém que divida o Senado

Luciana Nunes Leal e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

A discussão sobre a sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL) como presidente do Senado já produziu um consenso: a rejeição ao nome do ex-presidente da Casa José Sarney (PMDB-AP). Oposicionistas não aceitam Sarney por causa das ações que coordenou em defesa de Renan e pela proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E os governistas descartam o ex-presidente porque estão em busca de um nome de consenso, para evitar que a oposição lance um candidato. Depois da licença anunciada por Renan, vários peemedebistas passaram a defender o nome do companheiro de partido Pedro Simon (RS) para a presidência. "É preciso encontrar um nome no PMDB que seja consenso para evitar uma disputa na sucessão do comando do Senado", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES). "A presidência cabe ao maior partido, que, no caso, é o PMDB", afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), apesar das especulações de que os petistas estariam de olho no cargo. O debate sobre a sucessão ganhou corpo em função da avaliação - predominante na Casa - de que Renan não terá condições de retomar o cargo, pois isso traria de volta o clima de tensão e guerra que predominou entre os senadores nos últimos meses. Como a tradição estabelece que o maior partido ocupa a presidência, o cargo continuaria com o PMDB. Simon, na avaliação de parte dos peemedebistas, transmitiria uma imagem de seriedade e teria o respeito de situação e oposição. Falta, no entanto, combinar com o governo, que em princípio não aceita Simon, por causa da sua postura independente. "É preciso ver que Pedro Simon na presidência do Senado seria bom para o governo. Ele faria uma transição com muita seriedade e não ia botar a faca no peito do governo, exigindo cargos em estatais, ministérios ou atrasando a votação da prorrogação da CPMF", disse o senador Gerson Camata (PMDB-ES). "Além disso, o PMDB deve fazer um reparo ao que aconteceu com ele e Jarbas Vasconcelos", lembrou, referindo-se ao fato de que os dois senadores perderam suas vagas na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), em uma ação patrocinada por aliados de Renan Calheiros. A péssima repercussão desse caso, no entanto, fez o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), reconduzi-los à CCJ. Embora insista que não quer a presidência do Senado, o próprio Camata é uma alternativa à sucessão de Renan, se os governistas impedirem o avanço de Pedro Simon. Outro nome em discussão é o de Garibaldi Alves (PMDB-RN), mas este considera prematuro falar em sucessão neste momento. Garibaldi não se apresenta como possível candidato, mas acredita que o PMDB não conseguirá levar adiante uma candidatura de Pedro Simon, por causa da pressão do governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.