Werther Santana/ESTADÃO e Dida Sampaio/ ESTADÃO
Werther Santana/ESTADÃO e Dida Sampaio/ ESTADÃO

Nome da terceira via para enfrentar Lula e Bolsonaro ainda está longe da definição; leia análise

Embora o 'centro democrático' tenha prometido anunciar, no dia 18, o nome de um candidato o último capítulo dessa novela ainda está longe de ser escrito

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2022 | 05h00

Desde que apresentou a candidatura da senadora Simone Tebet à Presidência, o MDB tenta construir um acordo com outros partidos do grupo batizado como “centro democrático”. Alguns já roeram a corda e estão saindo do bloco da terceira via, como o presidente do União Brasil, Luciano Bivar. A cúpula do MDB, porém, insiste em manter Tebet na disputa sob o argumento de que, se não for assim, a maior parte da legenda migrará para a campanha do presidente Jair Bolsonaro.

Única mulher na corrida ao Palácio do Planalto, a senadora procura suavizar a fisionomia de um partido que sempre dançou conforme a música do governo e se envolveu em escândalos. Embora diretórios do MDB no Nordeste, como os de Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco estejam com o ex-presidente Lula, seções do Sul, Sudeste e Centro-Oeste – com mais votos na convenção – defendem Bolsonaro e seu projeto de segundo mandato.

Uma pesquisa qualitativa conduzida pelo marqueteiro Felipe Soutello será apresentada nesta quarta-feira, 4, a dirigentes do MDB. Feita para medir impressões dos eleitores, a sondagem mostra que Tebet já é associada a algo novo na campanha, após aparecer na propaganda do partido na TV. O problema, no entanto, é que ela não passa de 2% das intenções de voto.

No mesmo dia da divulgação do levantamento do MDB, o ex-governador de São Paulo João Doria participará de um jantar com a bancada do PSDB, em Brasília. Disposto a ser candidato ao Planalto, o tucano enfrenta resistências no grupo da terceira via, mesmo quando seu nome é apresentado para vice na chapa. Doria procura contornar a crise, mas, nos bastidores, dirigentes do PSDB dizem que, se ele mantiver o alto índice de rejeição e não desistir, será derrotado na convenção, em julho.

O ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite bem que tentou vestir o figurino de presidenciável, mesmo depois de perder as prévias. Saiu de cena, porém, ao perceber que não tinha apoio. Agora, uma ala do PSDB quer que o senador Tasso Jereissati se apresente para vice de Tebet. Alega que o partido acaba, se não tiver um candidato. Na prática, tanto tucanos quando dirigentes do MDB recorrem à mesma justificativa: a torcida não desfralda a bandeira para time que não entra em campo.

Embora o “centro democrático” tenha prometido anunciar, no dia 18, o nome de um candidato para enfrentar a polarização entre Lula e Bolsonaro, o último capítulo dessa novela ainda está longe de ser escrito.

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