DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Nobel da Paz diz que papa Francisco acompanha com preocupação crise política no Brasil

Após se encontrar com a presidente Dilma, o ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel falou que pontífice está preocupado com 'retrocessos democráticos' na América do Sul

Leonencio Nossa, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 12h03

BRASÍLIA - O Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel relatou nesta quinta-feira, 28, que o papa Francisco acompanha com preocupação a crise política no Brasil. Em entrevista, o ativista argentino de direitos humanos disse que discutirá com o pontífice o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff num encontro marcado para o início do próximo mês, no Vaticano. "Ele (Francisco) está muito preocupado com o que ocorre aqui. Também está preocupado com outros problemas no continente, retrocessos democráticos", afirmou.

As declarações de Pérez Esquivel foram dadas no Planalto, após um encontro com a presidente Dilma. Ele é um dos ativistas de mais acesso ao papa Francisco. O Nobel da Paz não adiantou qual a avaliação do papa sobre o Brasil. Esquivel apresentou apenas sua própria posição. "Temos muito claro que o que está se preparando aqui é um golpe, aquilo que chamamos de golpe branco", disse. "Esses golpes brancos já foram colocados em prática em países como Honduras e Paraguai. Agora, a mesma metodologia que não necessita de Forças Armadas está se utilizando aqui no Brasil", ressaltou. 

Durante a tarde, o argentino foi ao Senado Federal e causou tumulto ao dizer que há um "possível golpe" no Brasil. 

Pérez Esquivel, que ganhou o Nobel em 1980, relatou que a presidente Dilma agradeceu o apoio, reafirmou que considera o impeachment um golpe e está "muito firme" diante do processo. O argentino disse que a esquerda no continente precisa fazer uma reflexão crítica. "Muitas vezes tem muito discurso e pouca prática por parte da esquerda latino-americana."

Ele também comentou sobre a referência feita do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a votação do impeachment no dia 17 de abril na Câmara. Para Esquivel, o posicionamento do parlamentar brasileiro não é democrático.

A uma pergunta sobre um eventual governo Michel Temer, Pérez Esquivel disse esperar que a Unasul use a mesma carta orgânica que costumou usar em outras situações de "golpe". 

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