No velório, Serra lamenta morte prematura de Barradas

Geraldo Alckmin também foi homenagear corpo do secretário de Saúde do Estado de São Paulo

Chiara Quintão, Agência Estado

18 Julho 2010 | 18h33

 

SÃO PAULO - O ex-governador e candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, foi no final da tarde deste domingo, 18, ao velório do corpo do secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, na Santa Casa de São Paulo. "Foi-se um amigo pessoal meu, um amigo querido e um grande servidor público, um homem que fez muito pela saúde em São Paulo e no Brasil", afirmou.

 

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Serra ressaltou que como secretário em seu governo e de Geraldo Alckmin, Barradas foi responsável por grandes avanços na saúde, como a implantação de organizações sociais nos hospitais, a criação de ambulatórios médicos com especialidades que conseguem abreviar o tempo das consultas. Para Serra, essa proposta "certamente vai se espalhar pelo Brasil". "Seu papel foi fundamental", completou.

 

Serra relatou que quando assumiu o Ministério da Saúde, em 1998, pediu Barradas "emprestado" ao então governador de São Paulo, Mário Covas, por três meses para que o secretário o ajudasse a introduzi-lo nas questões do ministério. Segundo Serra, Barradas sempre recebia propostas para atuar na área privada. "O secretário era um homem modesto e um médico sanitarista por vocação, que é o médico menos remunerado da profissão." Barradas lhe disse, mais de uma vez, que a sua vocação era ajudar as pessoas e que tudo que fazia era para isso. "Ele vai fazer muita falta, não só para a família e os amigos, mas para o povo de São Paulo e do Brasil", disse Serra, para quem Barradas morreu prematuramente aos 57 anos de idade.

 

Segundo Serra, Barradas teve câncer de pele, mas havia se recuperado após cirurgia e quimioterapia. "Ele não tinha nenhum problema cardíaco, pelo menos que os médicos próximos soubessem. Só não fazia check-up médico há cinco anos. Ele que conseguia check-ups para tanta gente, inclusive me acompanhava toda vez que eu ia, não tinha feito para si mesmo."

 

De acordo com Serra, ao sentir-se mal ontem, Barradas pediu ao filho que o levasse ao Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, na zona sul de São Paulo, que o secretário ajudou a ampliar e modernizar, apesar de morar ao lado do Instituto do Coração (Incor). Ele desmaiou ao sair de casa e quando se restabeleceu disse ao filho para não se preocupar, pois estava se sentindo bem. Posteriormente, ainda de acordo com relato de Serra, Barradas teve uma parada cardíaca; no hospital os médicos fizeram massagem por uma hora e tiraram o coágulo que interrompia a circulação. "Mas o coração já tinha sofrido muito e não voltou a funcionar. Assim, em um dia, em poucas horas, em minutos, nós perdemos Barradas", lamentou Serra.

 

Alckmin

 

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a morte de Luiz Roberto Barradas foi uma perda para São Paulo e para o Brasil. "Barradas foi um grande médico sanitarista, que dedicou toda a vida à saúde dos brasileiros, além de ser um dos idealizadores do Sistema Único de Saúde (SUS)." Alckmin e Serra estiveram juntos no velório do corpo do secretário de Saúde no final da tarde deste domingo.

 

"Foi um homem íntegro que dedicou a vida a melhorar a saúde no Brasil. Foi uma perda, nossos sentimentos, nossas orações", declarou Alckmin. O candidato disse que estava permanentemente em contato com Barradas. "Eu dava aula de saúde pública, então toda hora ligava para ele para tirar dúvidas. Ele tinha conhecimento profundo", relatou.

 

Para Alckmin, Barradas talvez tenha sido um dos brasileiros que na história mais tenha contribuído para ajudar a saúde. Questionado se convidaria Barradas para ser seu secretariado, Alckmin lembrou que ele já tinha sido e tinha todas as condições para ser ministro ou secretário. De acordo com Alckmin, Barradas estava ajudando no programa de governo da campanha do tucano ao governo do Estado.

 

"Era um talento, uma pessoa honestíssima, que tinha visão de hierarquia no sistema de saúde, era rápido nas decisões e formava uma boa equipe. É difícil haver pessoas com visão conjunta de saúde pública. Ser um bom gestor e inovar", disse. Segundo Alckmin, os 29 novos hospitais da rede pública do Estado de São Paulo têm parcerias com o terceiro setor devido ao trabalho de Barradas.

 

Luiz Roberto Barradas Barata morreu na noite de sábado em decorrência de um ataque cardíaco. Barradas estava à frente da Secretaria de Saúde desde 2003, quando Geraldo Alckmin assumiu o governo. O corpo do secretário está sendo velado hoje no salão nobre da Provedoria da Santa Casa de São Paulo, aberto ao público até as 22 horas, e será cremado amanhã no cemitério da Vila Alpina, na capital paulista, em cerimônia restrita aos familiares e amigos.

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