No último grande ato da campanha, candidatos fazem debate burocrático

Formato adotado evitou que José Serra e Dilma Rousseff abordassem temas polêmicos ou partissem para o ataque

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 15h26

O último ato da campanha eleitoral não refletiu o acirramento do segundo turno. No debate na TV Globo, na noite de sexta-feira, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram se atacar e, por causa do formato do programa, não abordaram temas polêmicos.

 

Em desvantagem nas pesquisas, Serra só fez críticas a Dilma e ao governo de forma indireta. Quando questionado sobre o tema corrupção, por exemplo, ele não citou o escândalo que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil - em debates anteriores, o tucano sempre ressaltou as ligações entre a ex-ministra e a candidata do PT.

 

Dilma, que no começo do segundo turno adotou um discurso mais incisivo para barrar a eventual ascensão do adversário, também mudou de tom. Ela evito, no programa, mencionar o tucano e procurou destacar realizações do governo Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal cabo eleitoral.

 

Os candidatos foram sabatinados por eleitores indecisos que compareceram aos estúdios da Globo. Eles responderam a perguntas sobre segurança, saúde, educação e outros temas relacionados ao cotidiano da população. Não houve questões sobre privatizações, pré-sal e legalização do aborto, assuntos que foram destaque na campanha da segunda rodada da eleição.

 

A respeito da corrupção, Serra destacou que ela chegou a "níveis insuportáveis". Como forma de combater as irregularidades, o candidato destacou a necessidade de fortalecer as instituições fiscalizadoras, como o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público. "O exemplo tem de vir de cima. É preciso escolher bem as equipes e ser implacável com quem comete irregularidades", afirmou.

 

Dilma, na réplica, destacou a atuação da Polícia Federal no combate a casos de corrupção. Também apontou a importância da Controladoria Geral da União, órgão ligado à Presidência, "que foi responsável pela investigação no caso dos sanguessugas" - quadrilha que desviava verbas do Ministério da Saúde.

 

Em diversos momentos, a petista e o tucano apresentaram discursos convergentes. Ambos, por exemplo, destacaram a necessidade de valorizar os salários dos professores de escolas públicas e de reforçar o Sistema Único de Saúde.

 

Segurança

 

Em relação à segurança pública, Serra defendeu a prioridade no combate ao contrabando de armas e drogas. Defendeu ainda a formação de um cadastro nacional de criminosos, para que as forças de segurança dos Estados tenham condições de monitorar a ação de quem cometeu crimes fora de sua área de abrangência. Dilma afirmou que esse cadastro já existe, e que há iniciativas do governo para ampliar o banco de dados com informações da Justiça e do sistema penitenciário.

 

Em outro momento, a candidata do PT defendeu a desoneração da folha de pagamentos no País como forma de aumentar a criação e a formalização de empregos. Serra, sobre esse tema, adotou tom mais cauteloso. "Vamos tirar o quê? O Fundo de Garantia, o INSS? Isso tem de ser muito meditado, porque não se pode perder receita."

 

O tucano criticou a política de saúde do atual governo, mas sem mencionar o presidente Lula. "Nossa saúde andou para trás, o governo federal encolheu os recursos que empregava", afirmou. A candidata petista reconheceu a existência de falhas no setor. "Temos problemas sérios de qualidade, e se a gente não reconhecer, não melhora."

 

Em relação às políticas sociais, Serra defendeu a interligação do Bolsa-Família com programas federais como o Saúde da Família. Também apontou a necessidade de investir em ensino profissionalizante e de criar outros estímulos para que as famílias progridam e não dependam da ajuda federal.

 

Nesse momento, Dilma fez uma crítica indireta ao adversário, ao afirmar que 300 mil famílias pobres em São Paulo não recebem o Bolsa-Família por falta de cadastramento - função que seria do Estado e dos municípios. "Em São Paulo, quem cuida dos pobres é o governo federal."

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