Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

No último dia de mandato, Temer nomeia Marun no conselho de Itaipu

Ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo terá mandato até 16 de maio de 2020

Luci Ribeiro e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2018 | 09h08

BRASÍLIA - No seu último dia de mandato, o presidente Michel Temer exonerou Carlos Marun do cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo e o nomeou para exercer a função de conselheiro da Itaipu Binacional, com mandato até 16 de maio de 2020. O salário está entre R$ 20 mil e R$ 25 mil e o colegiado se reúne a cada dois meses.  

A mudança de Marun para a Itaipu está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira. O documento traz ainda a exoneração de Frederico Matos de Oliveira da função de conselheiro da Itaipu, "em virtude de renúncia", e do diplomata Marcos Bezerra Abbott Galvão da função de representante do Ministério das Relações Exteriores (MRE) junto à empresa.

Marun afirmou ao Broadcast Político que Temer entendeu que ele possui os "predicados" necessários para se tornar conselheiro da Itaipu Binacional. Marun também alegou que é importante seu Estado ter um representante no conselho e que a função permitirá seu afastamento da política. 

"É uma vaga que me interessa em função de que Itaipu passou a ter importância muito grande na vida de Mato Grosso do Sul principalmente em função da construção da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai)", justificou Marun, citando uma das obras prioritárias do final do governo Temer. Ele também destacou que o lago de Itaipu também atinge o Estado, e, portanto, "é positivo e importante até que MS esteja presente em Itaipu". 

Em entrevista ao Broadcast/Estadão, em julho, Marun disse que iria tirar pelo menos 30 dias de férias após deixar o cargo de ministro para, depois, exercer a advocacia. Hoje, ele reafirmou a intenção de voltar a atuar como advogado, mas respeitando um intervalo de seis meses.

"Em segundo lugar, (ser conselheiro) é uma função que me permite advogar. Vencida a quarentena de 6 meses por ter exercido função de ministro de Estado, eu poderei advogar. E, como terceiro aspecto, essa função me obriga também o afastamento da política, o que vem de encontro com essa decisão de me afastar da política por um tempo."

Marun disse ao Broadcast Político que discutiu o assunto com Temer após o pedido de demissão de Frederico Matos de Oliveira do governo e da função de conselheiro da Itaipu, na última quinta-feira. Temer, então, teria dito a Marun que a vaga o interessaria.

Conselho. O Conselho de Administração da empresa é constituído por 14 membros, sete do Brasil e sete do Paraguai. O Tratado de Itaipu estabelece que “a qualquer momento, os governos poderão substituir os conselheiros que houverem nomeado”.

Além de Marun, Temer já havia nomeado no fim do ano passado para o mesmo conselho a advogada Samantha Ribeiro Meyer, ex-mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff se envolveu em polêmica ao nomear o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que já havia sido delatado na Lava Jato, para o cargo de conselheiro de Itaipu.

Marun é o primeiro ministro de Temer a deixar oficialmente o governo, abrindo vaga para a equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que assume a Presidência do País amanhã. O novo titular da pasta antes comandada por Marun será o general Carlos Alberto dos Santos Cruz.  / COLABOROU ANNE WARTH

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