No último debate antes do segundo turno, Dilma e Serra evitam confronto

Em encontro realizado na Globo, candidatos não puderam fazer pergunta um ao outro e responderam somente a questões de eleitores indecisos

André Mascarenhas, enviado especial ao Rio, e Jair Stangler, de São Paulo, Estadão.com.br

30 de outubro de 2010 | 00h42

Os candidatos a presidente pelo PSDB, José Serra, e pelo PT, Dilma Rousseff, fizeram um debate burocrático e sem confronto nesta sexta-feira, 29, na Globo. O encontro, que aconteceu nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, foi o último antes do segundo turno, que acontece no próximo domingo, 31.

 

Com um formato diferente de todos os outros nove encontros, os candidatos responderam a perguntas de eleitores indecisos e não puderam fazer perguntas um ao outro. Foram feitas 12 perguntas ao longo dos três blocos, respondidas por um candidato, comentada pelo adversário e com direito à tréplica. Os candidatos evitaram se agredir, como aconteceu em outros debates e sempre elogiaram as perguntas dos eleitores. Além das acusações, a discussão sobre privatizações também se tornou ausente do debate.

 

Ao final do debate, Dilma lamentou a 'campanha suja' de que foi vítima na internet, mas afirmou 'não guardar mágoas'. A petista admitiu ainda que há problemas na saúde depois de Serra, ex-ministro da pasta, ter afirmado que a saúde "andou para trás" no governo Lula.

 

Se o formato acabou levando a um debate burocrático e sem emoção, por outro lado, acabou levantando preocupações dos eleitores.

 

Um dos temas debatidos foi a questão da informalidade. Segundo Serra, 50% da força de trabalho brasileira está na informalidade. O tucano prometeu investir em crédito para a população e em cursos profissionalizantes. Dilma citou a criação de de 15 milhões de empregos formais durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que dará continuidade a essa política, além de seguir com sua política de crédito para micro-empreendedores. Serra disse ver risco de o crescimento do País ter o efeito de vôo de galinha, ou seja, não ser sustentável, o que foi negado pela petista.

 

A alta carga tributária foi outro tema debatido pelos candidatos. Citando a alta arrecadação, Serra afirmou que a arrecadação cresce em função da alta carga tributária, enquanto para Dilma a arrecadação cresce junto com a própria economia. "a gente que crescia 2%, hoje a discussão é se vamos crescer 7, 7,5 ou 8%”, afirmou a candidata governista. Ambos se comprometeram com a redução da carga tributária e a melhoria dos serviços públicos. Os dois também se comprometeram a desonerar a folha de pagamento das empresas.

 

O debate atingiu 25 pontos no Ibope (cada um ponto correponde a 55 mil televisores na Grande São Paulo). O debate da Record havia atingido 13 pontos.

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