GABRIELA BILO / ESTADAO
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No Twitter, chanceler de Bolsonaro diz que Brasil não é ‘Lulaland’

Nas redes sociais, Ernesto Araújo listou opiniões críticas à política externa dos governos de Lula, reproduzindo parte do que ele vem dizendo em palestras e declarações à imprensa

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 23h24

BRASÍLIA – O chanceler Ernesto Araújo disse nesta quarta-feira, dia 9, com uma expressão em inglês, que o Brasil não é um território de propriedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Aqui não é Lulaland (terra de Lula), aqui é Brasil”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, no Twitter. Ele associou o petista a crimes como terrorismo e corrupção e o ausou de trabalhar contra interesses do País. 

A manifestação de Araújo foi a primeira de ministros do governo em reação a declarações de Lula, que teve o direito de se candidatar a presidente restaurado pela decisão judicial que anulou suas condenações criminais na Operação Lava Jato.

Mais cedo, o petista fez um discurso crítico a Bolsonaro e apresentou propostas alternativas para mitigar a pandemia da covid-19 e recuperar a economia, em recado de tom eleitoral à sociedade, ao meio político, ao setor produtivo e ao mercado financeiro.

Ameaçado do cargo há meses, Araújo é um dos ícones da ala ideológica do governo e busca ganhar popularidade entre os militantes bolsonaristas. Nas redes sociais, o ministro listou opiniões críticas à política externa dos governos de Lula, reproduzindo parte do que ele vem dizendo em palestras e declarações à imprensa, como fez recentemente durante briefing com jornalistas no Itamaraty e durante uma conferência virtual no Conselho das Américas. 

Araújo disse que Lula “hostilizava” os Estados Unidos e a Europa, “ignorava” o Japão, “discriminava” Israel e procurou desvincular o Brasil de países democráticos e desenvolvidos, para “fechar a América do sul” e “criar um bloco coeso de corrupção, terrorismo e crime”. Numa série de ataques, o embaixador bolsonarista acusou Lula de “confraternizar com antissemitas, financiar ditadores, defender na Organização das Nações Unidas (ONU) a agenda anti-vida e anti-família, perder acordos comerciais, abandonar nossos exportadores e investidores para não incomodar os aliados na Argentina e Bolívia, desindustrializar o país, ser chamado de anão diplomático, ajudar (Hugo) Chávez e (Nicolás) Maduro a destruírem a Venezuela, adotar atitude submissa diante da China, ofender a África, falar de paz e cooperação para esconder a roubalheira, desprezar o sentimento conservador e cristão do povo brasileiro, etc”.

O chanceler tem se queixado publicamente de ex-ministros brasileiros, tanto do Itamaraty quanto do Meio Ambiente, e de acadêmicos que criticam no exterior o governo Bolsonaro e expõem dados negativos de políticas internas. Sem citá-los, Araújo sugeriu que são adoradores de Lula.

“Então, prezados lulólatras: dobrem a língua antes de falarem da nossa política externa que luta e trabalha pela liberdade, identidade, segurança, desenvolvimento, soberania e grandeza da nação brasileira”, escreveu o ministro.

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