''No Supremo é mais fácil que processos demorem''

Blal Dalloul : procurador

Entrevista com

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Apesar de tantos inquéritos e denúncias, nenhum parlamentar foi condenado até hoje pelo Supremo. Por quê?O que tenho certeza é que sou contra o foro privilegiado. Esse é o "x" da questão. O Supremo Tribunal Federal não está acostumado a ser juízo de instrução, de condenação ou de absolvição. Os ministros do STF têm outra formação jurídica. E no Supremo é muito mais fácil que os processos demorem. Talvez por isso a defesa intransigente do foro por parte de alguns. O Ministério Público tem sido acusado de fazer conluio com a Polícia Federal e com juízes de primeira instância. Isso existe?Eu acho que essa acusação é falta total de conhecimento. O Ministério Público Federal atua dentro da ordem jurídica. E há vários casos de Mato Grosso do Sul, por exemplo, que o Ministério Público pediu a absolvição, o arquivamento do inquérito, impetrou habeas corpus a favor de várias pessoas. Nosso trabalho é imparcial. Não há conluio. O fato de o procurador-geral ser livremente escolhido pelo presidente da República tira a independência do Ministério Público?Eu creio que não. Os últimos procuradores-gerais não perderam independência em razão dessa escolha. É o processo. Hoje o presidente já escolhe alguém da lista tríplice. Já é um grande avanço.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.