No subsolo, a incrível diretoria das fotocópias

Nome é inusitado: ?Fotomicrografia?

Roberto Almeida, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2009 | 00h00

Fotomicrografia é uma técnica muito particular, empregada por cientistas, para capturar imagens de objetos microscópicos. É por isso que, na Assembleia Legislativa de São Paulo, ninguém soube explicar onde ficava o Serviço de Fotomicrografia da Casa. Mas ele está lá, no subsolo do Palácio 9 de Julho. A diretora da área é Clélia Paixão Esposito, e seu serviço está longe de ser científico. Ela é diretora da área de fotocópias da Assembleia paulista.Clélia é uma das ocupantes dos 67 cargos de direção da Casa. Caminhava às pressas de um lado para outro, com uma resma de papel A3 nas mãos, quando a reportagem chegou. À sua volta, o barulho das máquinas e o cheiro de tinta tomavam conta daquele canto do subsolo.Sua resposta à primeira - e a todas as perguntas - foi negativa. Não, a diretora do serviço de fotomicrografia não podia explicar se o que ela fazia ali era fotomicrografia ou fotocópias. Não podia dar nenhuma declaração sobre isso.Para esclarecer o assunto, era preciso falar antes com seus superiores, se houvesse o interesse em tirar a dúvida. Mas, na Secretaria-Geral de Administração da Casa, as mesmas negativas. À mesa, debruçada sobre o computador, a secretária disse que não poderia dar informações e alegou que o secretário estava fora da sala, em reunião externa. Segundo ela, que também não soube informar o que era fotomicrografia, não havia o que fazer. Só ele poderia responder se na diretoria faz-se fotocópia ou fotomicrografia.A luz sobre o tema apareceu somente em uma sala nos fundos da Assembleia paulista. Um ex-funcionário da divisão explicou: antigamente, lá havia serviços de fotografia e microfilmagem. Daí o termo "fotomicrografia". Contudo, o nome do cargo não se renovou. Acabou perdido no tempo, estampando uma porta do subsolo: "Diretora de Fotomicrografia."Enquanto isso, o ritmo das fotocópias continuava firme na área de Clélia. Porém, ela não estava mais lá. E os funcionários da área recusaram-se mais uma vez a prestar informações. "Para saber sobre isso, só na Secretaria-Geral de Administração", alertaram.No final das contas, Clélia é tão diretora de área na Assembleia quanto o dentista João Rikio Sakuda. Ele atende emergências odontológicas no terceiro andar do palácio. Dores de dente e exames admissionais de cerca de 3 mil funcionários, sem contar os 94 parlamentares. Sakuda é diretor do Serviço Técnico de Saúde Bucal da Casa.Há 20 anos, o dentista comanda uma equipe de seis profissionais, que trabalham seis horas por dia. Um total de 30 horas por semana. Todos estão ocupando cargos efetivos e concursados. Fazem cerca de 300 atendimentos por mês, das 8 às 20 horas. Assim como Clélia, Sakuda ganha "um pouquinho" a mais, uma "diferenciação" por ser diretor de área. Ambos estão à disposição dos 94 parlamentares, sempre que necessário.

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