No Sertão, tucano ajuda novos líderes na velha política

Com a bênção de Sérgio Guerra, que presidiu PSDB, ex-deputado suspeito em 13 homicídios elege filhos e ganha absolvição política

O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2013 | 20h49

Os irmãos Juliano Martins, de 25 anos, e Claudiano Martins Filho, o Cacau, de 23, eram garotos em 2000, quando viram o pai, o ex-deputado estadual Claudiano Martins, algemado e preso, acusado de chefiar a pistolagem no agreste de Pernambuco. "Nunca tive problema por causa disso", afirma Juliano, eleito no ano passado prefeito de Itaíba (PE), pelo PSDB. "Eu tive. Um professor fazia piada", diz, em tom sério, o também tucano Cacau, eleito deputado estadual em 2010.

Isolado numa fazenda na região de Itaíba, o ex-deputado Claudiano Martins, hoje com 47 anos, comemora o resultado da renovação em família. Contra ele e os irmãos Numeriano, Aureliano, Otaviano e Eliano Martins pesavam acusações de assassinatos ocorridos de 1992 a 1999, a maioria de representantes de uma família adversária. O clã estava envolvido, segundo investigações policiais, na morte de 13 pessoas - mas as denúncias não foram adiante. Claudiano ainda responde pela morte de um líder sem-terra em 2005.

Os Martins estão no agreste desde o tempo do Império. Um coronel da família escondia Lampião nas passagens do rei do cangaço pela região.

A história política de Claudiano começa em 1988, quando foi candidato a vereador em Itaíba pelo PPS. Foi reeleito, presidiu a Câmara e, após um mandato como prefeito, chegou à Assembleia, em 1998.

A prisão de Claudiano, em 2000, marcou a família. O então senador e hoje deputado federal Sérgio Guerra (PSDB-PE) deu apoio na hora da turbulência. Cerca de 25 mil votos de Itaíba e cidades vizinhas, angariados pelos Martins, passaram a ser sempre dele. "O senador foi o primeiro a defender o nosso pai e nossos tios. Ele é o nosso chefe, o nosso cacique", afirma Juliano.

Cacau ambiciona uma cadeira no Congresso. Mas o sonho está atrelado ao projeto de Guerra. "É fidelidade." Ao dar a mão aos Martins, uma espécie de absolvição por meio da política, o tucano entregou espaço político para o aliado respirar e, também, garantiu para si votos necessários à manutenção de sua atuação parlamentar.

Se não fosse a aliança com Guerra, os Martins estariam totalmente integrados ao projeto do governador Eduardo Campos, do PSB, que vive assediando a família. Cacau é aliado de Campos na Assembleia. Na eleição de 2010, Campos esteve em Itaíba para confraternizar com os Martins e apoiar Cacau. O deputado diz que a relação é antiga. "Meu pai apoiou os dois mandatos de Arraes (Miguel Arraes, ex-governador e avô de Campos). Meu pai é amigo particular de Eduardo. Estamos juntos com Eduardo e com o doutor Guerra."

Nas duas vezes em que foi preso, Claudiano teve apoio de Guerra, ex-presidente nacional do PSDB. Em 2000, o então prefeito de Itaíba recebeu voz de prisão do deputado estadual Pedro Eurico, do PSDB, presidente da CPI da Pistolagem da Assembleia, e, em 2006, foi preso pela Polícia Federal por suposto desvio de recursos. Sérgio Guerra, segundo contam os aliados locais, telefonou para o então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e para ministros do Supremo Tribunal Federal para libertar Martins. "Acredito e confio em Claudiano", afirma Guerra.

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