''''No Senado, tem de tratar bem''''

O governo errou na negociação da CPMF, quando contou com a força de interferência dos governadores, para garantir votos que acabaram não vindo?A posição dos governadores é importante, mas o voto é dos senadores, que muitas vezes são adversários políticos dos governadores. Os governadores não interferem no voto dos senadores, que são autônomos e representam seus Estados.Depois da derrota do imposto do cheque, o governo tem algum projeto fundamental para a sua sobrevivência que dependa do Congresso?Em política, as batalhas surgem de repente. Nem tudo é anunciado. Por isso é importante o governo ter uma base bem montada, ter um diálogo extremamente construtivo com a oposição e ter responsabilidade para votar, a qualquer momento, com sua base. O governo sempre terá matérias importantes para votar. A dinâmica da política num país do tamanho do Brasil não prescinde do Congresso em nenhum momento. Temos a reforma tributária, temos de rediscutir a questão da Previdência, fazer a reforma política. Tudo isso são emendas constitucionais. Qual é o maior problema da articulação política do governo?É a falta de continuidade. Foram cinco articuladores políticos com estilos diferentes, em três anos de governo, e nenhum deles conhecia bem o Senado. O ministro José Múcio assumiu no olho do furacão, na semana da CPMF, com um passivo de problemas e cargos represados. O Walfrido (Mares Guia) foi ministro por dez meses. Quando estava começando a construir uma relação com o Senado, saiu. Antes foram o Tarso Genro, o Jaques Wagner, o Aldo Rebelo. Com que base o governo pode contar hoje no Senado?Temos 41 votos para votar projetos de lei. A dificuldade são as emendas constitucionais que exigem 49 votos favoráveis, embora os partidos da base reúnam 53 senadores. Não existem bancadas no Senado. Cada senador vota com sua cabeça, com os interesses de seu Estado. O governo precisa ter em mente que não existe alinhamento predeterminado de senador. Tem de tratar bem. Não é porque um senador faz parte da base que um ministro não recebe, não dá retorno. Ele tem de ficar satisfeito.Qual a agenda do governo para 2008?Precisamos ter uma reunião do conselho político para discutir a reforma tributária antes do envio da proposta ao Congresso. Também faremos uma prévia com os partidos da oposição e, a partir daí, tocaremos a reforma com prioridade.Mas, senador, até ministros da área econômica admitem que é muito difícil votar o projeto de reforma tributária em ano eleitoral. Mas 2008 é ano de eleição municipal, não federal. Estamos no momento certo de discutir reforma tributária. Não se discute reforma tributária em época de crise, porque aí sim o debate gira é em torno da questão de quem perde mais e quem perde menos. Neste momento vigoroso, a discussão é em torno de quem ganha mais ou ganha menos. A hora de discutir reforma é esta.Se o Senado é um problema para a articulação do governo, não seria o caso de entregar o ministério a um senador, depois da seqüência de deputados? Não. Em tese, o articulador não precisa ser senador ou deputado, e sim alguém que tenha visão política, trânsito no Congresso e a confiança do presidente da República - porque opera em nome dele. Quando faço um acordo aqui, o faço em nome do presidente e, às vezes, à descoberto. Você tem de saber até onde pode ir. Eu fecho e banco depois. Não vejo dificuldade para o governo resolver os problemas no Senado, desde que o ministro Múcio tenha autonomia para isso. Ele tem de ter delegação do presidente para resolver.Uma das maiores queixas dos senadores é de que o governo não cumpre acordos. Alguma vez o governo deixou o senhor na mão, não bancando o acordo? Comigo, não. Todos os acordos que fiz foram honrados. Para não dizer que não faltou nada, teve a medida provisória do transporte escolar, que o MEC ficou de mandar até o fim do ano, quando a gente votou o Fundeb e não mandou. Mas eu estou cobrando.Os ministros ajudam na articulação política do governo?A participação dos ministros é importante, porque é o desdobramento da ação política. A ação política permeia todos os ministérios e o presidente cobrou isso na última reunião. Não é que os ministros tenham de fazer política eleitoral, mas têm de atender o senador, retornar ligação, dizer sim ou não. O governo tem de estar voltado para a política como uma coisa boa. FRASESRomero JucáLíder do governo no Senado"A posição dos governadores é importante, mas o voto é dos senadores, até porque muitas vezes os senadores são adversários políticos dos governadores""A dinâmica da política num país do tamanho do Brasil, não prescinde do Congresso em nenhum momento. Temos a reforma tributária, temos de rediscutir a questão da Previdência, fazer a reforma política. Tudo isso são emendas constitucionais""Foram cinco articuladores políticos com estilos diferentes, em três anos de governo, e nenhum deles conhecia bem o Senado""No Senado não tem bancada. Cada senador vota com sua cabeça, com os interesses de seu Estado""É ano de eleição municipal, não federal. (...) Neste momento vigoroso, a discussão é em torno de quem ganha mais ou ganha menos. A hora de discutir reforma é esta"

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