No Senado, governistas tentam superar discussão sobre CPIs

O governo deve começar a semana tentando dar como ultrapassada a discussão sobre instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs). As lideranças governistas no Senado vão tentar convencer a sua base aliada de que é preciso começar a trabalhar e discutir a chamada agenda positiva do governo. O primeiro sinal vem do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ao receber, hoje, o relator do projeto que altera a Lei de Falência, senador Ramez Tebet (PMDB-MS). Acompanhado do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o senador e o ministro vão tentar fechar um acordo sobre o texto da nova lei para submeter o assunto à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.Ainda esta semana deve ser votado o relatório do senador José Jorge (PFL-PB) sobre a reforma do Poder Judiciário. Tanto o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), quanto o senador Tião Viana (PT-AC) apostam que os dois temas deverão envolver a base aliada nos assuntos de interesse do governo. Mercadante terá que fazer uma ampla articulação para as votações no plenário. Primeiro, porque será amanhã a votação do relatório do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) que confirma a decisão do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de não indicar representantes dos partidos para as comissões parlamentares de inquérito, casos os líderes das bancadas não o façam. Renan acredita que a decisão tomada na CCJ deverá ser confirmada. Além disso, Mercadante terá que se debruçar sobre as 17 medidas provisórias que estão trancando a pauta do plenário.Na área política, os líderes vão agora voltar-se para os senadores que se desgastaram em função das operações para impedir a criação das comissões parlamentares de inquérito. PSB, PL e o próprio PT saíram chamuscados das manobras e o Palácio do Planalto terá que dar o tom certo nas negociações que serão enfrentadas esta semana e assim evitar o aprofundamento dos desgastes como no caso do senador Magno Malta (PL-ES)- autor do requerimento para a criação da CPI do Bingo - e Geraldo Mesquita (PSB-AC), que ameaça sair do partido. O outro desafio é a oposição. Centrada no desgaste do governo com as sucessivas tentativas de impedir a abertura de CPI, PSDB e PFL ainda vão tentar prolongar ao máximo a discussão sobre o assunto, de olho na votação marcada para a terça-feira.

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