André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

No Senado, Eunício tenta se descolar de Renan

Líder do PMDB, senador do Ceará é o favorito para assumir a presidência da Casa no próximo ano e procura, agora, se distanciar da imagem do atual titular do posto

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Favorito para assumir a presidência do Senado no próximo ano, o líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), procura agora se distanciar da imagem do atual presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). Para buscar apoio dos partidos, Eunício tem afirmado em conversas reservadas que não é “da turma do Renan”.

Eunício declarou a parlamentares e ao presidente Michel Temer que pretende, se eleito, fazer uma gestão diferente, com foco na conciliação entre os três Poderes. Para evitar o enfrentamento com o Judiciário, ele considera apoiar votações com apelo popular, como a proposta que acaba com o foro privilegiado, tema preterido neste ano por Renan. O texto é de autoria do senador Álvaro Dias (PV-PR) e teve parecer favorável do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), mas a votação emperrou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

Segundo interlocutores de Eunício, ele e Renan se afastaram após desentendimentos nas últimas semanas acerca da pauta de votações definida pelo atual presidente da Casa. Renan desafiou o Judiciário ao tentar colocar em votação apressadamente o pacote de medidas anticorrupção da Câmara e o projeto que atualiza a Lei de Abuso de Autoridade.

O senador tem comentado que também não concorda com a condução de Renan na presidência, pois avalia que ele envolve rivalidades políticas em suas decisões. Para o peemedebista, muitas vezes o correligionário age por vingança e acaba prejudicando o andamento dos trabalhos legislativos. 

Na terça-feira, 20, Eunício se reuniu em Brasília com os senadores Raimundo Lira (PMDB-PB) e Rose de Freitas (PMDB-ES) para fazer uma avaliação da sua candidatura. Para Lira, a candidatura do correligionário está “consolidada” e este é um assunto “totalmente definido”, pois ele tem um apoio “muito grande” entre as legendas da Casa. No mesmo dia, Eunício teve um encontro com Temer para discutir a conjuntura política.

Aproximação. Uma das estratégias de Eunício é se aproximar da segunda maior legenda da Casa, o PSDB (12 senadores). A bancada tucana cresceu desde a última eleição para a presidência da Casa, ficando atrás apenas do PMDB (19 senadores), e vai ganhar mais espaço na Mesa Diretora e no comando de comissões.

Apesar de ter sofrido diminuição na bancada desde 2014, Eunício também busca o apoio do PT (atualmente com dez senadores), mas tem enfrentado resistência de alguns parlamentares para compor com a sigla. Para se eleger presidente do Senado, Eunício precisa do voto de 41 dos 80 colegas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.