No Senado, é grande expectativa sobre reunião dos atos

Com o Senado esvaziado e vivendo 'recesso branco', o movimento pela saída de Sarney deve ficar estagnado

Eugênia Lopes e Christiane Sarmarco, de O Estado de S.Paulo,

23 de junho de 2009 | 13h53

Cresce a expectativa no Senado com a reunião da Mesa Diretora da Casa prevista para esta terça-feira, 23, às 17 horas, quando o presidente José Sarney (PMDB-AP) deverá anunciar medidas moralizadoras. Líderes de partidos aliados e de oposição, que não integram a Mesa, irão participar da reunião. "Os senadores que vão lá irão exigir medidas de reforma administrativa da Casa e punição dos envolvidos", diz o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), que vai à reunião.

 

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 "A crise do Senado é de modelo, de uma estrutura agigantada que tem de ser reduzida à metade", defende o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Para ele, a única saída para que a atual Mesa Diretora se sustente nos cargos é um "ato administrativo corajoso" que dê a resposta que a sociedade espera. "Mas estou totalmente desesperançoso de que algo radical vá acontecer nesta reunião de hoje", analisa o tucano.

 

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), já avisou que irá à reunião da Mesa Diretora. Ontem, o tucano foi à tribuna do Senado e fez um discurso contundente pedindo a punição de Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, ambos ex-diretores do Senado e apontados como os responsáveis pelos cerca de 650 atos secretos. Foi o início de um movimento pelo afastamento de Sarney da presidência do Senado. A sugestão para o afastamento foi feita pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Outro que também fez a mesma recomendação foi o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Ele (Sarney) tem de se afastar. O problema é que não sei quem coloca no lugar", observou Simon.

 

Com o Senado esvaziado e vivendo uma semana de "recesso branco", o movimento pela saída de Sarney deve ficar estagnado. Na avaliação de lideranças políticas, essa onda de "fora Sarney" só vai crescer caso surjam novas denúncias graves contra o senador peemedebista. A oposição não teria interesse em fomentar um movimento contra Sarney porque não vê alternativa para substituí-lo na presidência do Senado. O vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), não tem chances de permanecer no cargo e não há nomes no PMDB que possam ficar no lugar de Sarney. Dificilmente a cúpula peemedebista aceitaria ceder a vaga para outro partido da base aliada, como o PT.

 

A permanência de Sarney no cargo também vai depender do esforço de seus aliados em defendê-lo. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), que pretendia participar das Festas Juninas em Alagoas esta semana, mudou de planos, antecipou volta e já chegou à capital. Lideranças do Senado avaliam ainda que Sarney marcou a reunião da Mesa para as 17 horas na tentativa de evitar repercussão das decisões que anunciadas.

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