No Senado, Dilma diz que se orgulha de ter mentido sob tortura

No início de seu depoimento naComissão de Infra-estrutura do Senado, a ministra DilmaRousseff (Casa Civil) respondeu ao líder do DEM, José AgripinoMaia (RN), e disse que se orgulha de ter mentido quando foipresa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985),período em que não havia liberdade de expressão. "Me orgulho de ter mentido, o que estava em questão era aminha vida e a de meus companheiros. Aguentar tortura édificílimo", disse Dilma aos senadores nesta quarta-feira. Presa nos anos 1960 por ter participado de movimento contrao regime militar, Dilma ficou três anos na cadeia. "Pau de arara, choque elétrico, não há possibilidade de umdiálogo. Qualquer comparação só pode partir de quem não dáimportância à democracia", rebateu a ministra, que disse estardisposta a responder a todas as perguntas após sua exposiçãosobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Agora estamos em igualdade de condições, humanas emateriais, em um diálogo diferenciado", completou. Na abertura da sessão, antes de a ministra iniciar suaexposição, Agripino e o líder do PSDB no Senado, ArthurVirgílio (AM), cobraram explicações sobre o suposto dossiê cominformações sigilosas sobre o governo Fernando HenriqueCardoso, apesar de a ministra ter sido convocada para falarsobre o andamento das obras do PAC. Agripino insinuou que a ministra poderia faltar com averdade nas declarações que daria em seguida à comissão, aocitar entrevista de Dilma à imprensa na qual declara que nosdepoimentos dados sob tortura "a gente mentia feito doido,mentia muito, é claro que mentia para sobreviver, era um regimede exceção". O líder do DEM também afirmou que o dossiê pode significaro retorno ao Estado policial. "Esse dossiê parece uma volta aoregime de exceção, a volta do uso do Estado para encostarpessoas na parede", afirmou. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disseque a ministra responderia questões sobre todos os temas e alíder do PT, Ideli Salvatti (SC), afirmou que Agripino tentoudesqualificar o depoimento da ministra com suas declarações. Dilma admitiu nos últimos meses que a Casa Civil produziuum banco de dados com as informações dos cartões do governoanterior, mas rechaça a confecção de um dossiê. (Reportagem de Carmen Munari)

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