No RS, juiz autoriza que sem-terra sigam para São Gabriel

O juiz federal Belmiro Tadeu Nascimento Krieger autorizou 250 sem-terra que estavam retidos por ruralistas à margem da BR-290 a se deslocarem para o perímetro urbano de São Gabriel, na zona sul do Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada no início da noite desta sexta-feira, 23, para acabar com a tensão no quilômetro 455 da rodovia, onde os fazendeiros bloqueiam a passagem dos sem-terra há três dias.Como havia possibilidade de conflito, a Polícia Rodoviária Federal e da Brigada Militar colocaram destacamentos entre os dois grupos. No final da tarde de quarta-feira, Krieger determinou que tanto os sem-terra quanto os fazendeiros se abstivessem de entrar na rodovia e de avançar.A marcha, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), começou no dia 14 em Santana do Livramento com a intenção de percorrer 120 quilômetros a pé, até o centro de São Gabriel, para pedir a desapropriação das fazendas de Alfredo Southall. Os fazendeiros se mobilizaram porque temem invasões de propriedades rurais.Nova decisãoNa nova decisão, o juiz estabeleceu que os sem-terra não poderão percorrer caminhando os 40 quilômetros que faltam para o final do trajeto. O deslocamento será feito em ônibus escoltados pela Polícia Rodoviária Federal, possivelmente neste sábado. Em São Gabriel, o grupo vai ficar num terreno cedido por um simpatizante. Os ruralistas avisaram que vão permitir a passagem, mas anunciaram que manterão o novo acampamento dos adversários sob vigilância constante.Em São Borja, os 150 sem-terra que haviam feito uma manifestação diante do fórum na quinta-feira, deixaram o sítio Preserva, onde passaram a noite, e voltaram ao acampamento que mantêm perto da Fazenda Palermo, a 40 quilômetros da cidade. E em Charqueadas, outros 450 sem-terra permaneceram pelo sétimo dia acampados à margem da BR-290. Eles são do grupo que saiu de Arroio dos Ratos no dia 14 para marchar em direção à Fazenda Dragão, em Eldorado do Sul e estão a dez quilômetros do objetivo.Em Porto Alegre, a Coordenação dos Movimentos Sociais e da Central Única dos Trabalhadores reuniram cerca de cem pessoas para fazer duas manifestações durante o dia. Não houve incidentes. Pela manhã, o grupo se colocou diante do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para pedir a desapropriação das fazendas Coqueiros, em Coqueiros do Sul; Southall, em São Gabriel; e Dragão, em Eldorado do Sul, que, somadas, têm cerca de 20 mil hectares.À tarde, os manifestantes foram a um prédio ocupado por 60 famílias ligadas ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) dar apoio aos invasores. O edifício é o mesmo que o PCC havia usado para cavar um túnel em direção às agências central do Banrisul e da Caixa Econômica Federal, num golpe que a Polícia Federal frustrou no início de setembro, quando também prendeu 26 pessoas.

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