Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

No RN, Dilma proíbe até celulares para impedir vazamento de fotos

Presidente passa o carnaval no Centro de Lançamento de Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte e quer isolamento total

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

06 de março de 2011 | 16h48

PARNAMIRIM (RN) - Para impedir que haja vazamento de qualquer imagem da presidente Dilma Rousseff, durante os dias em que está descansando no Rio Grande do Norte, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, a Presidência da República proibiu que as pessoas entrem com qualquer tipo de câmara, inclusive de celulares. Todas as pessoas que chegam à Barreira do Inferno são vistoriadas ao entrarem na área militar. Quem estiver com celular, tem o aparelho recolhido ou sua bateria retirada para que não possa ser usado dentro das dependências do centro.

 

A medida é para impedir que façam alguma foto "roubada" da presidente Dilma e diverge do estilo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seus oito anos de mandato, Lula sempre fazia questão de tirar fotos com quem lhe pedisse. A ordem começou a valer na sexta-feira, quando a presidente Dilma chegou ao local para passar o Carnaval.

 

No governo Lula, a restrição era imposta apenas para quem se encontrasse com o presidente em seu gabinete. Desde 2009, todas as pessoas que entravam no gabinete do ex-presidente eram obrigadas a deixar seu celular na ante sala de com um funcionário da presidência, que cumpria o papel informal de "fiscal de celular".

 

No governo Dilma, a ordem permaneceu, inclusive para ministros, que deixaram de tuitar em reuniões como faziam no passado. Em 2009, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, encaminhou uma circular a todos os ministérios informando que qualquer autoridade que fosse falar com ele deveria deixar o celular do lado de fora.

 

A proibição agora, na Barreira do Inferno, da entrada de celulares com câmeras surpreendeu servidores. A justificativa do governo é que a presidente Dilma está em um momento privativo e de descanso. A agenda da presidente se encerrou na sexta-feira no final da manhã e para o período de cinco a oito de março, citava apenas que "a presidenta Dilma Rousseff passa o feriado de Carnaval sem compromissos oficiais", não informando onde ela permaneceria.

 

Dilma está isolada e não quer receber visitas. Na quinta-feira, antes de embarcar para o Rio Grande do Norte, ela pediu que seu chefe de gabinete, Giles Azevedo, telefonasse para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM) e a prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), informando que viria ao estado descansar. Pediu que avisasse também que não seriam feito contatos políticos durante a sua permanência, sinalizando que, de fato, não queria ser incomodada.

 

Dilma chegou às 18 horas de sexta-feira e, na manhã de sábado, a governadora mandou entregar à presidente na Barreira do Inferno, que fica em Parnamirim, a cerca de dez quilômetros de Natal, um buquê de flores e uma cesta com frutas regionais. Não havia informações se a presidente telefonou agradecendo ou se pediu que alguém fizesse isso em seu nome.

 

Um forte esquema de segurança no hotel de trânsito de oficiais da Aeronáutica do Centro de Lançamento Barreira do Inferno, que sofreu algumas melhorias para receber Dilma. Já nas primeiras horas da manhã de sábado, um grande contingente de oficiais do Exército, Marinha e da Polícia Militar trabalhavam para garantir que a estada da presidente em território potiguar seja a mais tranquila possível.

 

Esta é a primeira vez que um presidente da República se hospeda neste local, escolhido pela facilidade de isolamento. Não há como chegar lá nem por terra, nem pelo mar. Da base aérea de Natal, Dilma se deslocou para lá de helicóptero. A reportagem do Estado tentou chegar nas redondezas da Barreira do Inferno por mar, mas foi impedida pela patrulha da Marinha. Já na praia da Ponta Negra, a última antes do Morro do Careca, que protege o local, a lancha com jornalistas foi abordada pelos militares que disseram que a área estava fechada para "exercícios", o que não é verdade porque não há instrução programada para esta época ali.

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