No Rio, todos em busca da zona oeste

Esforço final dos candidatos será na região, que tem 35% do eleitorado

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2008 | 00h00

As biografias, os estilos e os aliados são diferentes, mas a estratégia dos candidatos à Prefeitura do Rio na última semana de campanha é a mesma: passar o maior tempo possível nas ruas e dar prioridade à zona oeste, que reúne 35% dos 4,5 milhões de eleitores cariocas. Vai ser um programa exaustivo, em bairros e áreas distantes onde conviverão, aqui e ali, com as tropas do Exército escaladas pela Justiça Eleitoral para garantir a segurança.Eduardo Paes, do PMDB, com 29% no Ibope, tentará sair da situação de empate técnico com Marcelo Crivella, do PRB, que tem 24%. Paes acredita que uma ampla vantagem terá efeito positivo sobre o eleitorado que não conquistou no primeiro turno. Já os concorrentes do PV, Fernando Gabeira, e do PC do B, Jandira Feghali, embolados no terceiro lugar, farão um apelo ao eleitor pela chance de chegarem ao segundo turno. Marcelo Crivella, do PRB, tentará minimizar a queda que sofreu desde o início da campanha. No último Ibope, ele se estabilizou e oscilou de 23% para 24%. Sua principal preocupação é consolidar os votos que conquistou e se voltar para o eleitor indeciso. "Um candidato que ficou oito meses na liderança das pesquisas tem um eleitorado fiel", diz o coordenador da campanha, Isaías Zavarise. Com menos de dois minutos de tempo na TV, Crivella usará os dois últimos dias do horário eleitoral, segunda e quarta-feira, para mostrar ao eleitor seu cabo eleitoral mais ilustre, o vice-presidente José Alencar.Novidade da reta final da campanha, o crescimento do candidato do PV, em coligação com o PSDB, Fernando Gabeira, será o trunfo do deputado. Os programas de TV terão um tom "alto astral", que tentará consolidar Gabeira como "candidato viável", nas palavras do marqueteiro Lula Vieira. Em reunião com candidatos a vereador, na sexta-feira, Gabeira anunciou a "estratégia da visibilidade". Ele quer "ser visto" em caminhadas ou no jipe já apelidado de Gabeirão. Nada de debates e mesas redondas em locais fechados. VOTO ÚTILJandira Feghali quer aproveitar a fase final para enfatizar a diferença entre ela e os candidatos Eduardo Paes e Marcelo Crivella. Dirá que ambos são aliados recentes do presidente Lula e que nenhum tem o mesmo compromisso com os pobres. Embora negue que esteja pregando o voto útil, o comando da campanha de Jandira busca, desde o fim da semana passada, apoios que possam dar um caráter suprapartidário à candidatura. Dois petistas, o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Faria, se mostraram dispostos a ajudar nesse esforço para levar a esquerda ao segundo turno. Artistas e intelectuais também tem sido procurados para reforçar a causa.Para o programa que encerra o primeiro turno, os comunistas pensam em levar imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a aliança da candidata com ele desde 1989. "A gente não precisa se engalfinhar pelo Lula", diz o marqueteiro da campanha do PC do B, Paulo de Tarso.

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