No Rio, Lula volta a criticar a seleção brasileira

Em inauguração, presidente afirma que é duro ver jogador que espera a bola chegar no pé

Márcia Vieira e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2008 | 11h29

O presidente Lula inaugurou na manhã deste sábado, 13, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o Hospital Moacyr Rodrigues do Carmo, o qual ele chamou de "o mais moderno hospital da região". Lula pareceu mais preocupado em falar de futebol do que de política. Em seu discurso, dirigiu-se a ex-jogadores que estavam na platéia, como Roberto Dinamite (atual presidente do Vasco da Gama), Amarildo, Silva e Altair, para criticar novamente a Seleção Brasileira, do técnico Dunga.  Animado com os gritos da platéia de "olê-olê-olá, Lu-lá, Lu-lá", o presidente começou o seu discurso falando de futebol. "É muito importante que vocês assistam aos jogos de vez em quando, pra dar palpite pros jogadores jovens. O torcedor não fica nervoso vendo o jogador suar a camisa. Duro é aquele jogador que fica o tempo todo esperando, parado, a bola chegar no seu pé. É preciso colocar o coração pra jogar bola", disse o presidente.  No início da semana, Lula defendeu a continuidade do técnico Dunga no comando da seleção brasileira. "Da mesma foram que um governo tem que ser avaliado no final de seu mandato, um treinador não pode ser avaliado antes de terminar seu trabalho", disse Lula. Antes, o presidente havia criticado os jogadores da seleção, elogiando a garra do atacante argentino Lionel Messi. Lula declarou que os jogadores brasileiros perdem a bola e ficam de braços cruzados, esperando que outro companheiro retome a jogada, enquanto os argentinos, principalmente o craque Messi, corre e demonstra alguma reação. Os comentários acabaram gerando críticas dos atletas brasileiros, em especial do goleiro Júlio César, que chegou a falar para Lula ir "morar na Argentina". Depois da vitória por 3 a 0 do Brasil sobre o Chile neste domingo em Santiago, Lula passou a defender o técnico Dunga à frente da seleção. "Tem que deixar [Dunga] concluir o trabalho. O problema é que no Brasil quando o time ganha é porque o time é bom, quando perde é porque o técnico é ruim. Imaginem se quisessem trocar eu e o José de Alencar [vice-presidente] toda hora", concluiu Lula.  Elogios a Cabral Na inauguração do Hospital Lula disse que o Brasil vive um momento maravilhoso, e que "nas brigas mesquinhas" entre os dirigentes, "a vítima é o povo". Ele se referia ao investimento de R$ 20 milhões do Ministério da Saúde para a construção da unidade - o Estado do Rio liberou outros R$ 25 milhões e a prefeitura de Caxias, R$ 27 milhões. Sem citar os nomes dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho (PMDB) e em clima de campanha, Lula disse que, em seu primeiro mandato, o Rio foi governado por "gente azeda e pequena, que não queria conversar". Ele elogiou muito o governador Sergio Cabral (PMDB): "Não tenho medo de dizer que ele será o maior governador que o Rio já teve", declarou.  Lula, Cabral e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, usaram coletes cor-de-laranja com o nome do hospital e os símbolos do governo federal, estadual e municipal. O presidente anunciou que vai reproduzir, no resto do País, o modelos das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do governo do Rio. Serão 500 UPAs até 2010. O presidente enalteceu suas próprias realizações da Baixada. "Só em Caxias e em Nova Iguaçu, serão mais de R$ 700 milhões em obras. E eu nunca perguntei de que partido era o prefeito daqui." O prefeito Washington Reis (PMDB) não compareceu à cerimônia, impedido pela legislação eleitoral, já que é candidato à reeleição. Lula já gravou participação em seu programa eleitoral. O principal concorrente de Reis é José Camilo Zito (PSDB), em cujo programa o ex- presidente Fernando Henrique Cardoso já apareceu. Lula voltou a dizer que, com parte do dinheiro do petróleo brasileiro, "vamos resolver o problema da pobreza e da educação". "É uma coisa extraordinária quando um pai e uma mãe pobres conseguem deixar o filho com uma profissão." Foi aplaudidíssimo quando prometeu à platéia: "Vocês vão ser tratados, aqui nesse hospital, como eu sou tratado no Albert Einstein e no Sírio e Libanês, em São Paulo." Enquanto Lula inaugurava o hospital, a primeira-dama, Marisa Letícia, acompanhada da primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo, e da primeira-dama de Caxias, Luciane Bomtempo, visitou a catedral de Petrópolis, o Palácio Cristal e o Museu Casa de Santos Dumont. Ela posou para fotografias com turistas e moradores da cidade. Perguntada se queria dar entrevista, dona Marisa respondeu: "Sem entrevista, tô de férias." A agenda do presidente no Estado do Rio é cheia. Às 16 horas, iria ao lançamento de um programa turístico na Serra dos Órgãos. Às 18 horas, assiste ao espetáculo de som e luz no Museu Imperial. Em seguida, estava prevista sua viagem para Mangaratiba, no Litoral Sul, onde fica a casa de verão do governador (o que dependia das condições do tempo, já que iria de helicóptero).  No domingo, o presidente terá o dia livre para aproveitar a estada na residência. Já na segunda, Lula viaja para a cidade de Resende, onde, às 10 horas, inaugura o Centro Logístico da Volkswagen para ônibus e caminhões, antes de seguir viagem para o Paraná. Pronto há 5 meses Em Petrópolis, Lula inaugurou o Centro de Ensino Tecnológico (Cefet) de Petrópolis, obra pronta há cerca de cinco meses. O Centro funciona desde o início de agosto, quando começaram as aulas, e já foi visitado e havia sido inaugurado informalmente pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). A comitiva da presidência da República pediu aos fiscais da Justiça Eleitoral para que todos os militantes do candidato do PSB à prefeitura de Petrópolis, Ronaldo Medeiros, retirassem seus broches, adesivos e camisetas com a propaganda do socialista.  Os fiscais do Tribunal Regional Eleitoral fizeram, no entanto, "vista grossa" para o material de propaganda do candidato do PT à prefeitura de Petrópolis, Saulo Munstrange, segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Medeiros. Os aliados do petista puderam circular livremente pelo evento. Os fiscais da Justiça Eleitoral também deixaram uma faixa enorme com a propaganda para o petista. O presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Fernando Rocha, do PSB, chegou a ser barrado na cerimônia pelos fiscais do TRE, mas acabou sendo liberado e podendo entrar no evento.  "Isso é absurdo; é perseguição política. Estão privilegiando o candidato do PT", reclamou a presidente do PSB local, Rosangela Stumf. Ela argumentou que nacionalmente o PT e o PSB são coligados e que os socialistas ocupam, inclusive, o Ministério da Ciência e Tecnologia. Com cinco candidatos disputando a prefeitura de Petrópolis, o evento de inauguração da Cefet acabou se transformando em uma guerra de bandeiras entre os militantes, que ficaram do lado de fora do Cefet. (Com Agência Estado)

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