No Rio, Lula grava para petistas, mas evita Molon

Presidente ajuda PT de Nova Iguaçu, São Gonçalo e Belford Roxo

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2008 | 00h00

Apesar da promessa de não entrar na campanha nos municípios onde partidos governistas se enfrentam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez gravações para petistas ou coligados com o PT em várias cidades do Estado do Rio, na maioria delas contra candidatos do governador Sérgio Cabral (PMDB), seu aliado. Já o concorrente do PT na capital, Alessandro Molon, que tem dificuldades para subir nas pesquisas, ficou de fora.As gravações de Lula, que já provocaram muita polêmica nas legendas da base, acentuaram ainda mais o abandono de Molon e o foco do PT do Rio na Baixada Fluminense.Lula gravou para os petistas nos maiores colégios eleitorais da região metropolitana. Em ao menos três, opôs-se a Cabral, principal cabo eleitoral da maioria dos adversários do PT. É o que aconteceu em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense) e São Gonçalo (Grande Rio), onde Lula recomenda os nomes de Lindberg Farias e Altineu Côrtes, respectivamente.Em campanha pela reeleição, Lindberg enfrenta o deputado Nelson Bornier (PMDB), candidato de Cabral. A vitória é encarada como prioridade no PT, que quer ampliar sua base na Baixada. Em São Gonçalo, Côrtes usa Lula para tentar minar a polarização entre Graça Matos (PMDB) e a atual prefeita, Aparecida Panisset (PDT).O PDT do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ainda enfrenta Lula pedindo votos para seu adversário em Niterói, onde o presidente gravou para Rodrigo Neves (PT). Porém, Jorge Roberto Silveira (PDT) deve ganhar no primeiro turno. Lula ainda fez gravações para petistas em Angra, Barra Mansa, Paracambi, Resende e Japeri.A entrada do presidente na campanha desagradou a alguns peemedebistas. "Não era esse o combinado. Com certeza essa é uma discussão que teremos que ter, mas vamos deixar para depois da campanha", queixou-se Bornier, que tem feito campanha com a presença constante de Cabral. No grupo de Cabral, no entanto, mais importante tem sido manter o presidente afastado da capital, onde o candidato do governador, Eduardo Paes (PMDB), lidera.Para o presidente regional do PT, Alberto Cantalice, a participação do governador nas eleições liberou Lula para pedir votos no Rio, já que o PT também faz parte do governo de Cabral. "Cabral tem feito campanha com os candidatos e nós, que somos da base dele, não reclamamos. Não vemos problemas, desde que nós também possamos usar o Lula." Segundo Cantalice, Lula não entrará na capital porque sua base está muito mais pulverizada na cidade. Além de Paes, concorrem aliados como Jandira Feghali (PC do B) e Marcelo Crivella (PRB). Apesar de fiar toda sua campanha na identificação com Lula e com o PT, Molon ficou apenas com o vídeo "genérico" em que o presidente pede votos para um prefeito afinado com o governo federal. Molon diz compreender a ausência.

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