No Rio, Lula defende continuidade de projetos apoiados pelo governo federal

O presidente também aproveitou para tecer elogios ao governador Sérgio Cabral (PMDB)

Alfredo Junqueira e Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 19h55

RIO - Em visitas rápidas e discursos curtos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou eventos nesta segunda-feira, 30, no Rio para defender a continuidade de projetos apoiados pelo governo federal e fazer elogios diretos ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), candidato à reeleição em coligação com o PT. Por conta da legislação eleitoral, o peemedebista não pôde participar e foi representado pela primeira-dama Adriana Ancelmo Cabral e pelo senador Régis Fichtner (PMDB), seu coordenador de campanha.

 

No Morro Dona Marta, na zona sul do Rio, e no bairro Três Corações, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Cabral foi citado por Lula pelo menos cinco vezes ao longo de seus dois discursos. O presidente participou da inauguração de um projeto de turismo relacionado à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Dona Marta e da entrega da 38ª Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas no Rio - UPPs e UPAs são as principais bandeiras políticas de Cabral e foram incorporadas pela campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

 

Lula foi cuidadoso em seus discursos. Elogiou Cabral, mas não pediu votos, o que configuraria infração à legislação eleitoral. Nos dois primeiros eventos, adotou o tom da continuidade. "O que foi feito aqui pelo governo do Estado do Rio é um exemplo que está sendo seguido por outros Estados, e eu acho que é um exemplo que a gente vai conseguir implantar nos próximos anos em todo o território nacional", discursou Lula na favela carioca, onde, acompanhado de seis ministros, lançou o projeto Rio Top Tour, apoiado pelo Ministério do Turismo. Apesar da comitiva, menos de cem moradores acompanharam o discurso, ocupando cerca de um terço da quadra da escola de samba Mocidade Unida do Santa Marta.

 

Durante a inauguração da UPA em Nova Iguaçu, o presidente disse que as obras não vão parar porque a população aprendeu a cobrar, pois o "povo está mais esperto, mais inteligente". "Tenho consciência de que a Baixada Fluminense está recebendo investimentos, no mandato do Sérgio e do meu, que nunca havia recebido antes. E as obras vão acontecer, não vão parar, porque agora o Brasil aprendeu a cobrar. O povo está mais esperto, está mais inteligente", afirmou.

 

O evento foi acompanhado por sete fiscais da Justiça Eleitoral, que impediram o acesso de militantes uniformizados e bandeiras de candidatos no local. Bandeiras de Dilma e do candidato do PT do Rio ao Senado, Lindberg Farias, acabaram entrando antes do fim da solenidade.

 

Mais tarde, o presidente participou de solenidade de comemoração dos 100 anos do Porto do Rio de Janeiro, no Píer Mauá. O evento foi marcado por tom de despedida e de carnaval. Lula afirmou duvidar que tenha havido no Brasil "alguém mais republicano" do que ele em sua relação com governadores e prefeitos.

 

"Duvido que tenha um prefeito de qualquer partido político neste País que possa dizer que `porque não sou de tal partido, o presidente nunca me atendeu'", disse o presidente, em discurso no fim da cerimônia.

 

Lula afirmou ter dado o mesmo tratamento a todos os governadores, sem discriminações, e elogiou mais uma vez a parceria com Cabral. A solenidade foi encerrada com um bolo comemorativo dos 100 anos do Porto, apresentado por passistas, mestre-sala e porta bandeira da Unidos da Tijuca cantando parabéns em ritmo de samba, tocado por ritmistas. O gari e passista Sorriso também estava lá e deu um pequeno show para o presidente.

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