No Rio, Jobim afirma que ''assunto está ultrapassado''

Um dia depois de confirmar em público que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) comprou equipamentos de escuta telefônica, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, procurou encerrar a polêmica ontem. "Esse assunto está ultrapassado. Tem que aguardar as investigações da Polícia Federal. Esse é o tema básico e fundamental", afirmou, no Rio, depois de participar de uma solenidade no porta-aviões São Paulo, no 1º Distrito Naval.Questionado sobre a tensão entre ele e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, a quem a Abin está subordinada, Jobim negou mal-estar. "Absolutamente."Jobim fez a revelação sobre a compra de equipamentos de escuta pela Abin em reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a crise institucional criada pela suspeita de que funcionários da agência grampearam ilegalmente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A legislação proíbe a Abin de fazer interceptações telefônicas.Félix reagiu e informou que o equipamento é usado apenas para varreduras e não para grampos.Na quinta-feira, Jobim reiterou que a Comissão de Compra do Exército em Washington adquiriu equipamentos a pedido da Abin e que um deles permite escutas telefônicas. A lista dos equipamentos comprados pela comissão foi entregue por ele ao presidente. Na quinta-feira, Jobim não quis responder se o Exército tem os mesmos equipamentos da Abin, até mesmo o que permite escutas telefônicas.Em São Paulo, onde visitou o Comando Militar do Sudeste, o ministro afirmou que o Exército não faz grampos. "Não há nenhuma destinação para isso." Jobim disse que não tem receio de estar sendo monitorado por arapongas. "Nenhum. Poderá ter (grampo), mas não tem problema nenhum." Ele disse que não há indisposição com o general Félix e apontou para jornalistas: "De forma nenhuma. Isso tudo é uma argumentação que vem da necessidade de alguém, principalmente alguns de vocês, de identificar e provocar atritos."Indagado se o Brasil precisa da Abin, ele disse: "É um problema que tem que ser submetido não ao ministro da Defesa, mas ao Congresso e ao presidente da República."

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