No Rio, Cabral vira alvo de adversários

Troca de acusações entre governo e oposições marca debate entre candidatos

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2010 | 23h47

O primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio foi marcado por acusações e ataques ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que disputa a reeleição. Fernando Peregrino (PR), aliado do ex-governador Anthony Garotinho, iniciou a rodada de perguntas na Band indagando se Cabral considerava moral e digno o fato de sua mulher, Adriana Ancelmo Cabral, advogar para duas concessionárias de serviços públicos de transporte, o Metrô Rio e a Supervia, que enfrentam uma série de críticas de usuários. Os casos foram revelados pelo Estado - o do Metrô em janeiro e o da Supervia em abril.

 

"Lamento que você traga esse tipo de assunto para cá. Minha mulher continuará advogada quando eu deixar o governo. É uma advogada respeitada, querida, que tem o apoio da OAB", respondeu Cabral. O candidato do PR afirmou que o Estado precisa se recuperar do ponto de vista moral, alegando que Cabral está "confundindo público com privado" e governando "para poderosos". "São ilações irresponsáveis", rebateu o governador.

 

Cabral acrescentou que Peregrino só está disputando a eleição porque Garotinho "foi impedido pelo Ficha Limpa". "Lamento profundamente que o candidato do casal Garotinho, cuja prefeita (de Campos, Rosinha Garotinho) acabou de ser cassada, venha falar da moral da minha mulher. O Garotinho deixou a Supervia em petição de miséria. Com a compra de trens, vamos diminuir pela metade o tempo de espera."

 

Fernando Gabeira (PV) também abordou o tema da primeira-dama, mas afirmou que o problema não é esse, e sim o loteamento político no setor de transportes, que considerou "fatal". "O secretário de Transportes (Júlio Lopes) era dono de escola. Sabia no máximo de transporte escolar."

 

Em seguida, Peregrino criticou o fato de Cabral ter chamado um garoto de 17 anos de otário, em video divulgado no Youtube. "O que é isso, destempero, preconceito?"

Jefferson Moura, do PSOL, atacou a gestão de Cabral na saúde e na educação. "Um cabo eleitoral do governador ganha quase o dobro de um professor." Ele também criticou Fernando Gabeira e chamou o candidato do PV de "ex-Gabeira". "É ex-Gabeira porque abriu mão da sua história. Hoje anda atrás do PSDB com pires na mão. Como pretende governar com ética com PSDB e DEM?", afirmou Moura. Gabeira rebateu: "Para chegarmos ao poder não podermos fazer discursos bonitos com romantismo de um século. Não somos mais adolescentes.É preciso se unir para transformar a realidade. Renasci para fazer uma política que muda a vida das pessoas."

 

Citando reportagem do Estado, Gabeira lembrou decreto de Cabral de 2009 que ampliou a área de construções em Angra ds Reis e disse que ele só voltou atrás após o desastre do réveillon na Ilha Grande, provocado pela chuva. Também afirmou que há "corrupção na saúde".No fim do debate, Cabral disse lamentar o que chamou de "festival de acusações" e o fato de não ter tido a oportunidade debater “temas mais importantes”.

 

Ao chegar à emissora, o governador entrou pelos fundos e evitou enfrentar um grupo de militantes do PR, que gritavam "Fora, Cabral" na entrada principal da Band. Dez minutos antes chegara o ex-governador Garotinho, presidente regional do PR e candidato a deputado federal. Em entrevista na calçada, cercado por uma claque, Garotinho acusou o atual governo de "corrupto e despreparado". Também ao chegar, o vice do presidenciável tucano José Serra, Índio da Costa (DEM), atacou Cabral quando respondia a uma pergunta sobre a falta de apoio financeiro do PSDB ao candidato do PV ao governo do Rio."Se fosse por dinheiro, a gente não poderia nem começar a disputar essa eleição. Se você puder imaginar o quanto eles (Cabral) estão gastando por aí. O que se vê e o que não se vê, né. Só o uso da máquina que eles estão operando é uma alucinação", acusou Índio da Costa.

Tudo o que sabemos sobre:
eleições2010debateRJsérgiocabral

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.