Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

No Rio, bombeiros se organizam para concorrer a cargos públicos

Dentre outros objetivos, o grupo SOS Bombeiros pretende eleger deputados em 2014 e reintegrar oficiais expulsos na greve

Antonio Pitta, de O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2012 | 19h43

Fortalecidos após o movimento grevista de fevereiro, bombeiros militares do Rio de Janeiro se organizaram politicamente para concorrer a vagas em 18 câmaras de vereadores do estado nas eleições de outubro. O grupo SOS Bombeiros, responsável pela ocupação do quartel geral dos bombeiros, articula a candidatura de 22 integrantes da corporação para os cargos de vereador e um candidato a vice prefeito. Distribuídos em partidos como PR, PSOL, PDT e DEM, os bombeiros esperam eleger até sete vereadores.

O projeto do grupo é se credenciar para eleger deputados em 2014 e lutar pela valorização da categoria e pela reintegração dos 14 oficiais expulsos no movimento grevista. Por enquanto, nas câmaras municipais, a bandeira dos bombeiros é promover a renovação política e aproximar as categorias de trabalhadores do poder público em oposição ao grupo do governador Sérgio Cabral e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, ambos do PMDB.

"A candidatura de um vereador não influencia diretamente a vida do militar, mas é uma base para chegar daqui a dois anos com nomes fortes. Estamos começando um projeto político", avalia Claudio Pereira, candidato a vice-prefeito de Niterói pelo PSOL. Após o movimento, em fevereiro, ele ficou oito dias preso junto com mais de 400 bombeiros.

O PSOL também abriga outros três candidatos ligados à causa dos bombeiros, em Niterói e Nova Iguaçu. Com dez candidatos, o partido com maior número de representantes do movimento é o PR, presidido no Rio pelo deputado federal Anthony Garotinho. A adesão aos partidos, segundo os candidatos, deve-se pelo apoio durante as manifestações, mas o movimento garante independência em relação às posições das siglas em outras temáticas.

"Não definimos a escolha do partido com base em seus ideais. Não somos políticos, somos bombeiros. Temos a proposta de fazer o bem, sem estar preso às propostas partidárias. Nosso compromisso é com os trabalhadores", afirma o líder do movimento SOS Bombeiros, Harrua Leal, expulso da corporação em março junto a outros 13 manifestantes.

Para participar das eleições, os bombeiros foram escolhidos em assembleias nos quarteis e por representantes dos diferentes batalhões de cada cidade. Os candidatos eleitos, segundo Leal, terão compromissos com o movimento, como a contribuição para os integrantes expulsos da corporação. Os futuros vereadores também deverão prestar contas aos seus eleitores nos quartéis, em reuniões mensais com os oficiais.

Único candidato da capital, o oficial Marcio Garcia, de 33 anos, acredita que será difícil garantir nas urnas o apoio recebido durante o movimento. Em sua base, ele conta com familiares e amigos dos oficiais, além de servidores nas áreas de saúde e educação que apoiaram o movimento dos bombeiros. Ao todo, a corporação conta hoje com 22 mil profissionais no estado, sendo 7 mil na reserva.

Somente na capital, a matemática da eleição indica que são necessários ao menos 30 mil votos para garantir um mandato. Ainda assim, o Garcia está confiante. "Vou ser eleito. Acordamos para a necessidade de representação agora. Nossa presença na câmara é uma prova de força política para sermos mais respeitados em nossos direitos e propostas", afirmou.

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