Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

No Rio, ato esvaziado expõe divergência entre ‘fora Bolsonaro’ e ‘nem Lula, nem Bolsonaro’

Carros de movimentos políticos focaram em motes diferentes nesta manhã; militantes de siglas de esquerda se juntaram ao MBL

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2021 | 14h43

RIO - De um lado, cartazes “Nem Lula, nem Bolsonaro”, exaltação à Lava Jato e até discurso de reverência a Carlos Lacerda, ex-governador udenista da antiga Guanabara. Do outro, o lema “Fora Bolsonaro” e bandeiras do MBL, do PDT e do PCdoB reunidas. Nos dois casos, pouca gente.

Assim foi o ato contrário ao presidente Jair Bolsonaro na orla de Copacabana, zona sul do Rio, nesta manhã. Com dois carros de som — um do Vem Pra Rua (VPR) e outro do  Movimento Brasil Livre (MBL) —, a manifestação não encheu, mas conseguiu viver uma divisão velada. Enquanto o VPR se concentrou em martelar o bordão que rejeita tanto o atual presidente quanto o petista, o MBL “esqueceu” Lula, a fim de atrair mais gente para a defesa do impeachment.

A estratégia funcionou, em certa medida. Em torno do carro do movimento, reuniram-se alguns apoiadores pedetistas, com bandeiras do partido e do presidenciável Ciro Gomes, e até militantes do PCdoB. O carro do Vem Pra Rua, por sua vez, passou por uma situação curiosa: enquanto criticava Lula, via vendedores ambulantes exporem diversas camisas e faixas com o nome dele em seus barbantes — dividindo espaço com bandeiras do Brasil, do movimento LGBTQIA+ e do Flamengo, por exemplo.

Poucas lideranças políticas compareceram ao ato. Entre elas, estavam o candidato a presidente em 2018 João Amoêdo (Novo), o secretário municipal de Governo do Rio e ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero (Cidadania), e o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha (PSB). Perguntado pelo Estadão sobre o embate entre os dois carros do ato, Amoêdo se colocou ao lado do MBL.

"A pauta dos brasileiros não é eleição, terceira via, nada disso", disse. "A gente tem que entender que qualquer construção de um Brasil melhor passa pela saída do Bolsonaro. Se a gente não tiver prioridade total nisso, vai ter ainda mais dificuldade nessa tarefa, que já não é fácil."

A manifestação deste domingo se deu no mesmo ponto em que bolsonaristas costumam se concentrar na praia de Copacabana, perto do posto 5. Há cinco dias, apoiadores do presidente ocuparam a orla com bordões antidemocráticos, como ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os presentes, Fabrício Queiroz, denunciado como operador das “rachadinhas” no gabinete do senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Queiroz foi tietado e prestou continência a um boneco de papelão do presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Com pouca adesão dos partidos, o ato deste domingo vinha gerando debates internos sobre aderir ou não a um movimento convocado por grupos que já foram bolsonaristas. No PT, por exemplo, que é a maior sigla da oposição, o MBL é visto com enorme ceticismo, já que surgiu como protagonista durante os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

Legendas de esquerda e de centro estudam preparar um novo ato, mais unificado, para as próximas semanas. Em meados deste ano, manifestações expressivas contra Bolsonaro chegaram a ser realizadas em diversas cidades do País.

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