Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

No Rio, a 'nova direita' ainda não se entende

RIO - Em comum, eles se identificam como a “nova direita”, querem a saída da presidente Dilma Rousseff e têm aversão a partidos políticos - o PT, principalmente. As lideranças que estiveram à frente das passeatas de 15 de março no Rio dizem não ter recebido nenhum tipo de apoio formal para as manifestações: cotizaram-se para financiar carros de som e faixas. Têm origens diferentes e divergem ao menos num ponto específico: a intervenção militar. 

O Estado de S. Paulo

21 de março de 2015 | 15h02

O publicitário Hermes Gomes, de 33 anos, é um dos fundadores do movimento União Contra a Corrupção (UCC). Filho de comerciante e dona de casa, por dez anos militou no PSB, participou do movimento estudantil universitário e chegou a ser candidato a deputado estadual em 2010 - teve 97 votos. “Conheci a esquerda por dentro. Quando entendi o jogo político e o jogo da esquerda, me desiludi”, conta. Daí, aproximou-se “da ala conservadora da direita”, diz ele. Nas redes sociais, Gomes encontrou quem compartilhasse das mesmas ideias. A UCC foi assim criada, e partiu para as ruas após a reação violenta da polícia paulista contra manifestantes em junho de 2013. “Ficamos nas ruas até que os arruaceiros tomaram conta das manifestações. A infiltração da esquerda tirou o povo de bem das ruas”, afirma. Ele diz que é contra a intervenção militar. 

“Se o MST, a CUT, bancados pela esquerda, ficarem insatisfeitos com a pressão que o povo está fazendo e se juntarem aos black blocs para gerar a violência ou se armar, só aí poderia justificar uma intervenção militar”, destaca o publicitário. 

O empresário Rodrigo Fonseca, de 25 anos, que se apresenta como Rodrigo Brasil, administra no Rio o grupo Revoltados On Line, perfil com 740 mil curtidas no Facebook. Morador da Baixada Fluminense, região pobre vizinha à capital fluminense, é casado e pai de dois filhos. 

Estudou em escola pública e não cursou faculdade. Na manifestação em frente à Candelária este mês, que reuniu apenas 39 pessoas, estava entre os que jogaram garrafas de água no sociólogo Ricardo Sant’Anna Reis, que chamara o grupo de “golpista”. “Não defendo o golpe ou intervenção militar. A Constituição diz: ‘Todo poder emana do povo’. Não precisamos de militares para que as coisas sejam resolvidas.”

Já o corretor de imóveis Luiz Eduardo Oliveira, de 46 anos, do Olhar Brasileiro e Resistência RJ, defende a intervenção militar. “Sou um cara conservador, mas não sou alienado.”

No dia 28, quer reeditar a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, nome do maior protesto contra o presidente João Goulart, realizado em 1964, às vésperas do golpe militar que o depôs.

Filho de empregada doméstica, não conheceu o pai. A mãe morreu quando ele tinha 5 anos, em aborto malfeito. “Por isso sou contra o aborto.” Foi criado por parentes e sofreu maus-tratos, que lhe deixaram 28 cicatrizes na cabeça. Morou na rua. Aos 19 anos, ingressou como praça da Aeronáutica. “Ali aprendi a ser homem”, diz, emocionado. Está no quinto casamento. Não tem filhos. 

Por telefone, o corretor de imóveis mudou o local da entrevista meia hora antes do encontro. “Estou sendo monitorado pelo serviço reservado da esquerda.” 

Tudo o que sabemos sobre:
Dilma Rousseffmanifestaçãoprotesto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.