No Rio, 20% dos deputados tomam posse sob investigação

Com mais de 20% dos seus parlamentares sob investigação por suposta prática de corrupção, fraude ou abuso de poder econômico, a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) iniciou nesta quinta-feira a nova legislatura polemizando com o Ministério Público, mas dando folgada maioria ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). Um dos deputados denunciados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Jorge Picciani (PMDB), afirmou logo após a sessão de posse que o MP Eleitoral é "irresponsável" e falou praticamente como presidente reeleito da Casa por mais dois anos - a escolha será na sexta, e foi fechada chapa única para a Mesa Diretora. Já o líder do governo, deputado Paulo Melo (PMDB), estimou em até 50 (de 70) parlamentares a nova base governista, que vai comandar. "Acho que (a série de denúncias feitas pelo procurador regional eleitoral, Rogério Nascimento) mancha a imagem do Ministério Público, que é irresponsável", disse Picciani. "Mas não quero polemizar com isso. Isso é uma questão do Judiciário." Ele afirmou que "no regime democrático as instituições devem funcionar", ou seja, a procuradoria deve denunciar, os denunciados, se defender, e o Judiciário, julgar, mas ressaltou que, no momento, os parlamentares estão em pleno gozo de seus direitos. "É prematuro falar em mandatos, os mandatos hoje estão consagrados, as pessoas estão empossadas. Se houver um revés de um, dois, 30, 70, é uma questão futura." O Estado tentou falar com Nascimento, mas o procurador está de férias e não foi localizado. Dezesseis deputados estaduais e quinze federais estão sofrendo ações de impugnação de mandato eletivo no Tribunal Regional Eleitoral, por iniciativa do procurador. Na primeira fila no plenário do Palácio Tiradentes, sede da Alerj, sentou-se pelo menos um estadual sob investigação: Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe da Polícia Civil suspeito de proteger mafiosos de caça-níqueis. Além dele e de Picciani, foram denunciados seus colegas Alair Correa (PMDB), Anabal Barbosa (PHS), Alessandro Calazans (PMN), Jane Cozzolino (PTC), Nader Júnior (PTB), Edson Albertassi (PMDB), Domingos Brazão (PMDB), Fábio Silva (PMDB), Glauco Lopes (PSDB), Inês Pandeló (PT), Mário Marques (PSDB), Wilson Cabral (PSB), Rodrigo Dantas (PFL)e Sabino (PSC).

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