No restaurante, teste de DNA para parentes de Gengis Kan

É o tipo de notícia poderia tirar- lhe o apetite ? saber-se parente de Gengis Kan. Mas um restaurante londrino, que oferece aos clientes a chance de saber se são descendentes do sanguinário imperador mongol ? e um jantar grátis para quem for -, descobriu que a idéia é surpreendentemente popular.?Há descendentes de mongóis que atravessam toda Londres para trazer-nos detalhes?, diz Hugo Malik, o gerente do Shish, que está fazendo testes de DNA em cada um de seus dois bares de Londres, todos os dias até sexta-feira. ?Eles dizem ?Vovô sempre nos disse que éramos descendentes de Gengis Kan?.?A Oxford Ancestors, a empresa que faz os testes, assegura que cerca de 16 a 17 milhões de pessoas da Ásia Central dividem o padrão de cromossomos Y com seqüências genéticas indicando provável descendência de Gengis Kan, que conquistou vastos territórios na Ásia e Europa, nos séculos 12 e 13, e teve uma vasta prole.?Ele era um líder tribal e um conquistador?, diz David Ashworth, geneticista e diretor-executivo da Oxford Ancestors. ?Ele tomou cidades, terras e mulheres.?Na falta de amostra de tecidos do imperador mongol, os testes baseiam-se na taxa de probabilidades. Eles são parte do florescente campo das técnicas da bioarqueologia para prospectar a antigüidade. Fundada há quatro anos pelo geneticista da Universidade de Oxford, Bryan Sykes, a Oxford Ancestors aplica testes em pessoas em todo o mundo, tentando traçar raízes genealógicas. Sykes acredita que o DNA pode ser usado para mapear ancestrais comuns dos homens. Em 1994, ele extraiu DNA do Homem de Gelo, uma múmia congelada de 5.000 anos descoberto nos Alpes Tiroleses, e identificou uma inglesa como sua descendente.O livro de 2001 de Sykes, The Seven Daughters of Eve (As Sete Filhas de Eva), afirma que 95% dos europeus são descendentes de sete matriarcas tribais ? ele as apelidou de Úrsula, Xênia, Helena, Velda, Tara, Catarina e Jasmim ? que viveram há 45.000 anos.Por 180 libras (R$ 990), a Oxford Ancestors dirá ao cliente a que clã maternal ele pertence. O teste de Gengis Kan é parte de um projeto de fazer o mesmo com os ancestrais paternos pelo mapeamento de padrões do cromossomo Y, o material genético transmitido de pais para filhos que praticamente não muda através das gerações.As mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens têm apenas um cromossomo X e um Y ? assim apenas homens podem fazer o teste de Gengis Kan.?Por certas marcas no cromossomo Y, se combinar com o padrão de Gengis Kan, a pessoa apresentará a probabilidade de ser descendente do Grande Kan?, diz Ashworth.O Shish, um restaurante badalado, especializado em kebabs grelhados, inspirados pela cozinha da Ásia Central e Oriente Médio, diz que está oferecendo os testes em homenagem a uma decisão do governo da Mongólia de reintroduzir os sobrenomes.Nos anos 90, o novo governo democrático da Mongólia decidiu reverter a política de 70 anos de regime comunista, que proibira sobrenomes numa tentativa de quebrar o poder de clãs feudais.No final de junho, data final para o registro de sobrenomes, mais de metade da população tinha escolhido chamar-se Borjigin, ou Mestre do Lobo Azul ? o nome de clã de Gengis.Execrado no Ocidente como um conquistador sanguinário e condenado na Mongólia comunista como um símbolo do passado retrógrado, Gengis Kan é agora celebrado pelos mongóis como pai da nação.Também muitos acadêmicos ocidentais estão revendo o legado do imperador, reclassificando-o como um brilhante estrategista militar e um governador globalizante, cujo império, que a certa altura estendia-se do Mar do Japão ao Danúbio, juntou uma mistura sem precedentes de produtos e culturas ao longo do Caminho da Seda, que ligava a China à Europa.

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